Fluidez no trânsito melhora com mudanças nas linhas de ônibus

Tempo no trânsito diminui, mas passageiros reclamam de baldeação

Por O Dia

Rio - Dois meses após o início da racionalização dos ônibus na Zona Sul, o cenário do transporte público rodoviário se divide em duas partes. Enquanto houve melhora na fluidez do tráfego no Centro e de Copacabana ao Leblon — atravessar o corredor da Presidente Antônio Carlos e 1º de Março ficou 22% mais rápido, por exemplo —, passageiros reclamam da demora para pegar os ônibus e dos longos deslocamentos a pé na baldeação.

Recreio e Lapa estão entre os bairros mais prejudicados com as mudanças, de acordo com o engenheiro de Transportes e professor da Uerj Alexandre Rojas. O especialista afirmou que, no Recreio, o deslocamento interno foi o item mais afetado; na Lapa, a demora tem sido uma aporrinhação. “Se retirar ônibus da Rua Tonelero, em Copacabana, foi positivo, já que a rua não comporta tanto ônibus, o transtorno ficou significativo nas baldeações. A parte social não é medida em números, a não ser quando o interesse dos empresários prevalece sobre a vontade das pessoas”, apontou.


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Foi um passado recente chegar ao trabalho em 20 minutos para a moradora do Catete Purita Martinez, de 60 anos. Com a baldeação, feita na Praia de Botafogo para chegar ao RioSul, ela gasta o dobro agora. “Perco no ponto, esperando, o tempo que levava na condução”, calculou.

Alunos da PUC, na Gávea, estão entre os prejudicados. Após esperar uma hora pelo ônibus após a mudança na Barra, Leonardo Arnizaut Gelio, de 22 anos, tirou o carro da garagem. “Tenho uma opção só, agora, e que também não passa com frequência. Só contribuiu para eu ir de carro”, contou.

Também da PUC, Bernardo Brites, de 18 anos, disse colecionar problemas após a extinção da linha 332, substituída pela Integrada 2. “A nova opção não segue pela Gávea, é pela Niemeyer. Aí sobra fazer baldeação em um ônibus lotado no Alvorada, o Integrada 1. Fora que no meu horário, por volta das 11h, a Américas, que eu não cruzava antes, está engarrafada”, explicou Bernardo, que embarca na orla da Barra.

INFORMAÇÃO ANDA EM FALTA

Em até locais considerados bem servidos de ônibus, como Copacabana, moradores se mostram insatisfeitos. Acostumada a orientar pessoas, a guia turística Marise Silva, de 58 anos, diz que se sente turista onde mora. “Estou completamente perdida. Preciso ir à Praça Mauá e já andei da Santa Clara à Siqueira Campos sem encontrar qualquer resposta. Desisto. Vou pegar um ônibus que passe pela Avenida Presidente Vargas e andar aquilo tudo”, comentou.

O presidente da Sociedade Amigos de Copacabana, Horácio Magalhães Gomes, diz que tem se reunido com o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani, para encontrar o meio-termo. No útimo pedido formal, esta semana, Gomes cobrou soluções para a sobrecarga da linha 435 (Grajaú-Gávea), criação de pontos para agilizar a baldeação e melhor distribuição das linhas. “A Troncal 1 tem toda hora, mas as demais demoram. Há trechos descobertos com as mudanças, como da Princesa Isabel ao Arcoverde. É inviável que a pessoa tenha que andar mais que 800 metros”, resumiu.

A prefeitura alega que o objetivo das mudanças é acabar com a sobreposição de linhas e reduzir o número de veículosnos corredores para melhorar o trânsito, o que já está sendo comprovado.

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