CPI quer saber motivo de o Bope ter gasto 8 mil munições sem registro de mortes

Na próxima semana, serão convocados a prestar esclarecimentos policiais e comandantes de batalhões que tem um gasto muito acima da média

Por O Dia

Rio - O controle de armamentos e munições da Polícia Militar do Rio de Janeiro é do século 19. Esta foi a conclusão do deputado Carlos Minc (PT), presidente da CPI das Armas, após ouvir, ontem, o ex-chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, coronel Paulo Henrique Azevedo, e a tenente coronel Márcia Dias de Andrade, responsável pelo controle de armamentos e viaturas da PM.

A audiência tinha como objetivo investigar o mau funcionamento do Sistema de Material Bélico (Sismatbel), responsável pelo controle de armas e munições da PM, entre 2013 e 2014.  “Nós, integrantes da CPI, estamos muito insatisfeitos com tudo o que estamos vendo e ouvindo. Há um incrível jogo de empurra entre as partes e a única coisa que está clara é que o controle de armas funciona muito mal. Na Polícia Civil estamos no século 21, mas na PM paramos no século 19”, disse o deputado Carlos Minc.

Ex-chefe do Estado Maior da PM%2C coronel Paulo Henrique depõeDivulgação

O parlamentar informou que é preciso fazer mudanças radicais no controle de armas da PM. E até mesmo na Polícia Civil, que apesar do controle mais eficaz e informatizado, muito pouco foi feito para recuperar as mais de 3 mil armas desviadas nos últimos anos. E apenas 10 policiais civis foram suspensos.

“Vamos propor informatizar tudo. Pelas contas feitas pelo deputado Flávio Bolsonaro (PP), o problema se resolve com pouco mais de R$ 1 milhão, o que é nada perto do orçamento da Secretaria de Segurança Pública, o maior de todos, de mais de R$ 10 bilhões. Não falta dinheiro, falta definir prioridades e gastar melhor”, argumentou o deputado.

Na próxima semana, serão convocados a prestar esclarecimentos à CPI policiais e comandantes de batalhões que tem um gasto de munição muito acima da média, gerando suspeita de desvio de munição dos paióis da PM para os quartéis generais do tráfico.

“Tem policial que já disparou mais de 600 tiros de fuzil somente este ano. Queremos saber o porquê, já que para todo gasto de munição é preciso haver um registro de ocorrência”, lembrou.

Outro fato que chamou a atenção dos deputados da CPI foi o fato de o Bope ter gasto 8 mil munições, sem qualquer registros de mortos, feridos ou bala perdida. “Como assim um esquadrão de elite gasta isso tudo e não acerta ninguém? É estranho”, questionou o deputado Paulo Ramos (Psol).



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