Empresa culpa estado por dívidas com fornecedores

OS que gerencia cinco unidades de saúde no Rio diz que não recebeu repasses. Para secretário Pedro Paulo, cadastro negativo no Serasa não impede contrato

Por O Dia

Rio - A Organização de Saúde (OS) Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), contratada por R$ 260 milhões para gerenciar o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, culpou o governo estadual por dívidas com fornecedores, como O DIA mostrou ontem. “A instituição sofre para honrar seus compromissos com fornecedores em decorrência dos enormes atrasos no pagamento dos recursos previstos em contrato (celebrado com a Secretaria estadual de Saúde)”, informou, em nota. O secretário de coordenação de Governo da Prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho, não vê problema no fato de a OS HMTJ estar negativada junto ao Serasa.

“Uma certidão de R$ 650 mil no Serasa não nos impede de fazer uma contratação que seja da HMTJ ou de outra OS. As instituições, empresas, pessoas físicas têm o seu dia a dia. Isso não impede a contratação. Se fosse uma dívida maior, de dois, três ou vinte milhões...”, disse Pedro Paulo, na inauguração da nova sala de espera para familiares no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, também gerido pela mesma OS.

Hospital Albert Schweitzer: Ação contra má gestão e falta de funcionáriosDivulgação

A entidade, que administra outras cinco unidades de saúde do Rio, está sendo processada pela Sanoli Indústria e Comércio de Alimentação por conta de uma dívida de R$ 650 mil, referente ao fornecimento de quentinhas para as UPAs de Copacabana e Botafogo, também geridas pela instituição. Com sede em Minas Gerais, a OS é réu ainda em ação movida pela CEG pela falta de pagamento das contas de gás do Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João de Meriti, desde fevereiro de 2015, no total de R$ 73.650,12.

A OS afirma que para regularizar suas dívidas com fornecedores precisa receber os repasses atrasados. Até o fechamento da edição, a empresa não divulgou o valor da dívida do estado. A secretaria estadual de Saúde também não se pronunciou a respeito. Sobre a ação movida pelo Ministério Público motivada pela má gestão e déficit de funcionários no Albert Schweitzer, a OS alega que a análise se refere a período anterior à chegada da entidade, que se deu em fevereiro de 2013, na UTI, e em fevereiro de 2014, em toda a unidade, em Realengo. 

Filas de espera dentro e fora

Cerca de 40 parentes de pacientes internados no Albert Schweitzer formaram uma fila, sob o sol, para entrar na nova sala de espera climatizada. Tiveram que esperar a chegada de Pedro Paulo e do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, para a inauguração oficial. Sheila Romeu da Silva criticou o fato e fez diversas cobranças sobre a situação do hospital. “A gente agora está tendo acesso para cobrar, e vamos continuar em cima. É muito descaso com a população”, afirmou.

Do lado de fora do hospital, outra fila. Eram profissionais de saúde que aguardavam para fazer processo seletivo e serem contratados pela OS. Candidatas ao cargo de técnica de enfermagem disseram que também se inscreveram para o Rocha Faria, em Campo Grande. A OS HMTJ ainda não contabilizou o número de vagas totais na unidade.

Médico é dispensado

O médico Gilberto de Oliveira Lima, vereador pelo PTN e ex-presidente da Comissão de Saúde Pública da Câmara Municipal do Rio, que faltou a plantões na emergência do Rocha Faria no último fim de semana, não será contratado pela nova gestão da unidade. A secretaria municipal de Saúde informou que “<MC0>a equipe técnica está sendo reformulada, com a contratação dos profissionais necessários para o bom funcionamento e atendimento à população”, mas não informou as vagas disponíveis.

De acordo com a secretaria, “os funcionários que hoje atuam no hospital estão sendo avaliados individualmente e aqueles que tiverem interesse em continuar, forem considerados aptos e tiverem disponibilidade para cumprir a carga horária serão contratados pela nova OS pelo regime CLT, com todos os direitos garantidos”.


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