Trânsito na Região Metropolitana gera prejuízo de R$ 25 bilhões por ano

Estudo da Firjan mostra que em 2014 foram 11 horas de congestionamento por dia e 113 quilômetros de lentidão

Por O Dia

RIO - Onze horas de congestionamento por dia, 113 quilômetros de lentidão na Região Metropolitana do Rio e um custo de quase R$ 25 bilhões, só em 2014, foram alguns dos dados destacados pelo especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema FIRJAN, Riley Rodrigues, durante apresentação realizada no segundo debate do ciclo “Rio Metropolitano: Desafios Compartilhados”. O evento, realizado nesta quarta-feira, dia 13, na Representação Regional FIRJAN/CIRJ Baixada Fluminense Área I, em Nova Iguaçu, abordou o tema mobilidade com o objetivo de repensar as políticas e práticas relacionadas à questão na Região Metropolitana. Participaram do encontro autoridades, empresários e especialistas no assunto.

“A solução do problema da mobilidade urbana vai além da construção de novas infraestruturas e da otimização das atuais. Ela passa pelo reordenamento da Região Metropolitana, definindo como queremos o futuro, com melhor distribuição de funções urbanas, como emprego, principalmente, além de saúde, educação e outras. Desta forma, criaremos uma região com vários núcleos e as pessoas não precisarão fazer longas viagens pendulares no mesmo horário e sentido, o que causa congestionamentos, altos custos e reduz a qualidade de vida”, concluiu Riley. A apresentação do especialista abordou as oportunidades de crescimento e os desafios da Região Metropolitana do Rio nos próximos anos, com foco em mobilidade urbana.

O presidente da Representação Regional da FIRJAN, Carlos Erane de Aguiar, o secretário de Estado de Transportes, Carlos Roberto Osório, o diretor executivo da Câmara Metropolitana, Vicente Loureiro, e o secretário municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana de Nova Iguaçu, Rubens Borborema, abriram o evento. De acordo com Carlos Erane de Aguiar, “o aumento da população e a ocupação desordenada em novas áreas, principalmente no entorno do Arco Metropolitano, nossa maior conquista, irá demandar uma maior atenção do poder público, que precisa assegurar a mobilidade urbana da região, garantindo a segurança para os trabalhadores e as indústrias”. Ele destacou também a contribuição do Sistema FIRJAN. “Nosso objetivo é promover a competitividade empresarial, a educação e a qualidade de vida do trabalhador e da sociedade, o que contribui para o desenvolvimento sustentável do estado do Rio e, consequentemente, na solução do grande desafio que é a mobilidade”, destacou Carlos Erane de Aguiar.

O secretário de Estado de Transportes, Carlos Roberto Osório, revelou que nesta quinta-feira, dia 14, se reunirá com prefeitos e secretários de Transportes da Região Metropolitana, junto com um representante do Ministério das Cidades, para apresentar o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU), que será o orientador dos planos de mobilidade urbana de cada município. Para solucionar o problema de mobilidade na Baixada Fluminense, Osório citou algumas frentes, destacando a importância do Arco Metropolitano. “Não podemos deixar de citar o Arco Metropolitano, grande ganho para a região e que certamente está ligado ao desenvolvimento econômico do estado. Além de focarmos na construção de novos acessos e manutenção da via, nos preocupamos com a ocupação no entorno, evitando as invasões. A ampliação da Via Light e a ligação com a Avenida Brasil também é um projeto de extrema importância para alavancar o desenvolvimento da região e solucionar o problema da mobilidade. A obra já foi licitada e contratada, agora, nosso desafio é o financiamento”, revelou Osório.

Vicente Loureiro acredita que as oportunidades de emprego e geração de renda estão diretamente relacionadas à eficiência da mobilidade urbana. “Repensar suas estratégias é essencial para promover o bem estar e a integração dos cidadãos fluminenses”, enfatizou o diretor da Câmara Metropolitana.

“Entre 1993 e 2013, o percentual dos trabalhadores que se deslocam de uma a duas horas diariamente para o trabalho passou de 18,5% para 23%; e o percentual dos que levam mais de duas horas para chegar ao trabalho pulou de 2,7% para 6,4%. Os efeitos negativos do tempo excessivo gasto no transporte para o trabalhador, o meio ambiente e os fluxos na cidade são evidentes. A solução precisa ser pensada de forma integrada”, completou Manuel Thedim, diretor executivo do IETS.

O debate contou também com a participação do secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Rafael Picciani; do diretor regional da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP-RJ), William Alberto de Aquino Pereira; da diretora executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), Clarisse Linke; do vice-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), José Armênio de Brito Cruz; do coordenador de Informação da Casa Fluminense, Vitor Dias Mihessen; da diretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral; do secretário Municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana, Rubens Borborema; além do especialista da FIRJAN Riley Rodrigues.

O “Rio Metropolitano: Desafios Compartilhados” é uma iniciativa da Câmara Metropolitana de Integração Governamental e do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), que tem o apoio do Sistema FIRJAN e patrocínio da Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro (AEERJ), do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), da Fetranspor e da Águas do Brasil. O ciclo prevê cinco encontros em diferentes cidades da Região Metropolitana do Rio. O primeiro, sobre saneamento, aconteceu em Duque de Caxias no último dia 5 e reuniu 200 pessoas, incluindo dez secretários de Meio Ambiente. Depois deste encontro sobre Mobilidade em Nova Iguaçu, o próximo tema será a Segurança Pública, que será debatida em 20 de maio, em Niterói; e a Saúde, abordada em 28 de maio, em São Gonçalo. O encerramento será em 1º de junho, no auditório da FIRJAN, no Centro do Rio. Os encontros contam ainda com o apoio da Prefeitura de Niterói, do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado, do jornal Extra, da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia, da Casa Fluminense, da Ope Sociais e do site Vozerio.

?Autoridades e empresários que participaram do ciclo “Rio Metropolitano: Desafios Compartilhados” aproveitaram para visitar os estandes da VI Exposição da Indústria, realizada nesta terça e quarta-feira na Representação Regional FIRJAN/CIRJ Baixada Fluminense Área I, em Nova Iguaçu. A iniciativa tem como objetivo apresentar aos alunos do SESI/SENAI e convidados a diversidade de produtos que são produzidos pelas empresas da região.

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