Flávio Serafini: Volta às aulas no Rio: Incerteza e abandono

Em meio a esse cenário, estão os terceirizados sem salários e os servidores recebendo em míseras parcelas

Por O Dia

Rio - O início das aulas deveria ser o início de um novo ciclo. No Estado do Rio, porém, esse retorno se dá sob o signo da incerteza e da precarização, patrocinadas pelo desgoverno Cabral/Pezão, que deixou a Educação no total abandono.

Na Uerj, o retorno das atividades foi adiado por falta de condições: sem segurança, bandejão fechado, serviço de limpeza precário. O Hospital Universitário Pedro Ernesto e a Policlínica Piquet Carneiro reduziram drasticamente sua capacidade de atendimento. O financiamento dos projetos de pesquisa e o pagamento de bolsas sofrem atrasos.

Em Campos, a Uenf passa por situação semelhante, agravada por episódios de furto. A Universidade Estadual da Zona Oeste convive com situação ainda mais dramática, pois não tem estrutura própria nem corpo técnico-administrativo concursado. O início do ano letivo, previsto para dia 20, está ameaçado pela falta de professores — 16 aguardam a liberação da posse há dois anos.

A Fundação Cecierj, responsável por iniciativas como o Pré-Vestibular Social, reduziu a oferta de vagas de 15 mil para 11 mil e a alimentação dos estudantes foi cortada. Incertezas também assombram a Faetec, que abriga sete das dez escolas estaduais mais bem avaliadas pelo Enem.

O edital para ingresso de novos estudantes, prometido para dezembro, só deve sair em abril. Os que lá estão não conseguem estudar em horário integral porque não têm merenda e assistem a aulas em rodízio de turnos.

Dezenas de escolas passam por um processo de fechamento de turmas e turnos, que já reduziu a oferta de mais de 100 mil matrículas em cinco anos, com justificativa de redução da demanda. Paradoxalmente, a imprensa e, oficialmente, o próprio secretário Wagner Victer, confirmam o aumento de procura de vagas. Temos cada vez menos escolas, turmas mais cheias e adolescentes fora da escola.

Em meio a esse cenário, estão os terceirizados sem salários e os servidores recebendo em míseras parcelas. A população, por sua vez, sofre ataques decorrentes da crise, que resulta na violação do direito fundamental à Educação Pública.

Eis a alternativa colocada pelo governo: sacrifícios extremos dos que mais precisam dos serviços públicos para tapar o rombo criado por uma administração irresponsável e corrupta.

Flavio Serafini é professor da Fiocruz e deputado estadual pelo Psol

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