Ciep é invadido por vândalos que ameaçam os estudantes

No fim de semana, foram roubados computadores, projetores e até estoque de comida

Por O Dia

Rio - Os alunos do Ciep municipal Carlos Drummond de Andrade, na Praça Seca, Jacarepaguá, estão sendo praticamente expulsos da unidade, devido aos ataques frequentes de vândalos e bandidos. No fim de semana passado, o Ciep foi invadido e totalmente depredado. Pais de alunos já começaram a transferir os filhos de lá por temerem por mais ataques violentos à unidade, que não conta com vigias.

A doméstica MD, de 37 anos, mãe de duas alunas, uma de 15 anos e outra de 13 anos, ambas do 8º ano do Ensino Fundamental, já conseguiu a transferência das meninas para outro colégio. Moradora da área, e com medo da violência, não quis ter os nomes dela nem os das filhas revelados, muito menos o local onde as meninas vão estudar.

“Não é só nos fins de semana, não. Eles (os invasores) entram na escola durante a semana e exigem até comer no refeitório junto com os alunos. E se a escola não der comida eles ameaçam a todos. Não quero mais as minhas filhas nesta escola, vamos embora daqui”, afirmou a mãe mostrando os documentos de transferência.

Policiais foram até a escola ontem pela manhã%2C onde cerca de 500 alunos ficaram sem aulas. Segundo mães de alunos%2C os invasores também atuam durante a semanaEstefan Radovicz / Agência O Dia

De acordo com pessoas que registraram a ocorrência na delegacia, foram roubados cinco laptops, três projetores (data show), painéis para projeção e o estoque de alimentos para alunos e professores. Além disso, janelas foram arrancadas, vidros quebrados e paredes pichadas.

Com medo de represálias, funcionários da escola evitam falar e os poucos que comentam pedem anonimato. “Não temos porteiro, não temos vigia. Estamos jogados à própria sorte”, denuncia um funcionário.

O Ciep fica nos fundos da 28ª Delegacia de Polícia e é vizinho à comunidade do Morro do Campinho, que seria dominada por milicianos, segundo policiais. Em uma das pichações dos invasores na escola, o traficante Marreta, chefe de uma facção criminosa e preso em 2014, foi exaltado. Segundo policiais, as inscrições são provocação de traficantes que teriam sido expulsos do morro pela milícia que agora domina a área.

De acordo com funcionários da escola, cerca de 500 alunos ficaram sem aulas ontem. Hoje, pela manhã, a direção da escola avaliará se há condições de retomarem as aulas na unidade.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que mantém diálogo permanente com os representantes da área de Segurança Pública na região e que conta com o serviço da ronda da Guarda Municipal.

Além de roubar e pichar paredes%2C os vândalos quebraram grades e janelas da escola que é municipalizadaDivulgação

Em campus da Uerj, bala perdida é ameaça a alunos e professores

Em outra unidade de ensino, a ameaça aos estudantes e professores são balas perdidas. Como mostrou o ‘RJ TV’, da TV Globo, um tiro de fuzil entrou em uma sala no campus da Universidade do Estado do Rio (Uerj), em frente à comunidade da Mangueira, durante o fim de semana. Na sala, que fica no sexto andar, trabalham três professores, que se assustaram ao ver o furo na janela quando chegaram para trabalhar nesta segunda-feira. A bala atravessou a janela, uma parede e parou no corredor. O professor que pediu para não ser identificado contou que já escutou rajadas de tiros outras vezes, mas que nunca viu o problema chegar tão perto.

“Me deu uma sensação de espanto e medo, porque vou ter de continuar a trabalhar aqui, neste mesmo lugar. Não temos dinheiro para mandar blindar essa janela”, afirmou o professor. O movimento na Uerj também está menor por causa da greve dos servidores que começou em março.

Segundo professores e estudantes que têm ido ao local, os problemas de segurança estão ainda piores com a greve.

Últimas de Rio De Janeiro