Polícia investiga associação suspeita de praticar crimes contra aposentados

AAPRJ prometia ganho de causa na Justiça em ações de revisão de aposentadorias

Por O Dia

Rio - "Fui um dos idosos enganados por este grupo. Acham seu endereço, enviam carta oferecendo mais dinheiro na aposentadoria e depois te roubam. Caímos fácil nessa ratoeira”. A revolta é de João Carlos Alexim, de 78 anos, uma das centenas de vítimas que teriam sido lesadas pela Associação dos Aposentados e Pensionistas (AAPRJ), que fica na Rua do Acre, no Centro. Na tarde de quinta-feira, a sede foi alvo de uma operação de policiais da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa de Terceira Idade (Deapti), para cumprir mandado de busca e apreensão.

A ação policial tinha como objetivo recolher provas sobre possível ocorrência dos crimes de estelionato e associação criminosa praticados contra aposentados. De acordo com as investigações, os aposentados eram cooptados a se associarem sob o argumento de que a AAPRJ iria propor ação judicial solicitando a revisão dos benefícios. Os aposentados passam a ser cobrados pela associação e a maioria das ações foram indeferidas pela Justiça.

Polícia recolheu recolheu computadores e documentos para avaliarDivulgação

"Antes das investigações começarem em 2014 já haviam 70 vítimas e temos outras 20 pessoas denunciando essa associação. Eles convidam idosos através de cartas alegando que eles têm direito a uma revisão na aposentadoria e prometem retroativos altos”, afirmou o inspetor da Deapti, Joas Gonçalves Lopes, responsável pela investigação.

Ainda segundo ele, o idoso tinha que se associar e pagar por uma taxa entre R$ 1,4 mil e R$ 2,6 mil. Em seguida, recebia uma carteirinha, pagava mensalidades e a associação garantia que iria dar entrada na Justiça para revisar a aposentadoria da vítima. “Eles embutiam uma cláusula de renovação anual automática o idoso era obrigado a pagar novamente pela taxa. A princípio, há três ou quatro pessoas envolvidas na associação, mas deve haver mais”, lembrou o investigador, frisando que num mês deste ano, a associação chegou a faturar R$ 300 mil. “Há advogados envolvidos e eles serão investigados. Temos conhecimento de que teriam aberto escritório para essa prática ilegal também em São Paulo e, provavelmente, no Nordeste”, contou Joas Gonçalves.

Na operação da polícia na sede da associação, agentes apreenderam 13 gabinetes de computador, quatro notebooks, duas máquinas de cartão, 22 banners com propagandas de processos ganhos e oito caixas de documentos. Policiais afirmaram que não tiveram autorização para fechar a sede da associação.

Dívida em vez de correção

Aposentado em 1979, João Carlos Alexim, de 78 anos, tentou, em vão, reaver o valor de sua aposentadoria na Justiça há três anos. Mas ele conta que foi enganado pela Associação de Aposentados e Pensionistas. “Paguei dez parcelas de R$ 180 e nunca houve qualquer informação sobre o processo. Um ano se passou e ao voltar à sede da associação fui informado que deveria pagar um outro total de R$ 5 mil de mensalidades atrasadas. Um absurdo! Me recusei e entrei na Justiça”, afirmou.

Vítima do mesmo golpe, o morador da Freguesia, Almir Lopes Cabral, 73, se aposentou em 1992, mas passou a colecionar problemas há dois anos, desde que recebeu uma carta da associação pelos correios. “Me prometeram R$ 40 mil em correção da aposentadoria, mas herdei uma dívida de R$ 2 mil que tive que pagar. Me arrependi de não ter entrado na justiça contra essa associação, que já deveria estar fechada”, revoltou-se.

Sindicato orienta para ação judicial

Coordenador geral do Sindicato Nacional dos Aposentados no Rio, Rafael Zibelli Neto, garantiu que vai entrar com uma ação judicial contra a associação. “Repudiamos a ação dela, pois age na ilegalidade, enganando aposentados e pensionistas. A associação já mudou de nome e endereço e continua atuando”, comentou.

Advogado do sindicato, Felipe Cianni de Lara Resende, explicou que o idoso que cair no golpe deve entrar rápido com uma ação judicial. “Procurar logo um advogado é o primeiro passo e é importante e não pagar qualquer valor cobrado, assim como procurar um sindicato”, enfatizou. O DIA tentou contato com AAPRJ, mas não conseguiu.

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