Jandira Feghali diz que apoio a Rodrigo Maia foi por falta de opção

Deputada afirma que esquerda focou na derrota do candidato de Eduardo Cunha

Por O Dia

Rio - Ainda amargando a eleição do deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara na quarta-feira, a deputada e pré-candidata à prefeitura do Rio, Jandira Feghali (PCdoB), afirma que o apoio da esquerda ao candidato no segundo turno da votação foi para derrotar Rogério Rosso (PSD).

Rosso foi apoiado pelo deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e pelo chamado centrão _ que reúne deputados de vários partidos, como o PSD, PP, PR, PTB, PSC e siglas nanicas. A oposição não se unificou na votação, mas Feghali diz que mesmo se o fizesse, a esquerda não tinha chance de vitória.

“O segundo turno nunca é o que se deseja, é o que se tem. E nessa situação o foco foi derrotar o candidato do Cunha e do centrão. Eu optei por anular o meu voto porque qualquer das duas opções eram vinculadas ao Planalto e, no meio de um golpe, não me senti confortável”, disse em entrevista ao DIA.

A deputada do PCdoB destaca que o número elevado de candidaturas à presidência da Câmara deixou claro a fragmentação do centrão. “Agora a estratégia é unir a esquerda para votar contra a pauta que está vindo do governo. É a luta contra o golpe e a luta contra a pauta”, afirmou.

A pré-candidata à prefeitura do Rio disse que a estratégia agora é unir votos contra as pautas do governoEstefan Radovicz / Agência O Dia

Ela diz ainda que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do teto de gastos, que o Planalto quer aprovar o mais rápido possível, mostra a vontade de o governo atual estabelecer uma estrutura neoliberal no país. A proposta prevê que o teto para o aumento nos gastos públicos seja igual à inflação do ano anterior. A regra seria válida pelos próximos 20 anos, podendo ser revista somente a partir do décimo ano.

“O impeachment foi feito para que se recompusesse uma agenda que dificilmente ganhará nas urnas. Uma agenda de desnacionalização, de retirada de direitos e de fortalecimento do mercado. E essa PEC do teto é a constitucionalização do orçamento sem povo”, avaliou a deputada. Ela esteve com a presidente afastada, Dilma Rousseff, e disse que a petista está confiante de que o processo de impeachment cairá.

Nova base do governo interino de Temer

Derrotado na disputa pela presidência da Câmara após racha dentro do centrão, o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), afirmou ontem que o episódio não coloca fim ao grupo, mas ajudará na formatação de uma nova composição da base aliada do governo. Rosso foi derrotado no segundo turno da disputa, realizada na madrugada de quinta-feira, pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que comandará a Casa até fevereiro de 2017.

“Não é o fim do centrão, mas o início de uma consolidação do padrão da base Temer. É o início de um novo momento partidário”, disse Rosso. Ele garantiu ainda que não guarda “mágoas” pelo fato de o Palácio ter apoiado a candidatura de Maia.

Na análise do líder do PSD, a derrota na disputa pelo comando da Casa também revelou que o Centrão, arquitetado pelo deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passou a ter uma imagem negativa entre a maioria dos deputados.

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