Adolescente é morto com mais de 20 tiros no Chapadão

'Pessoas que estavam em mercado perto viram traficantes mandando ele subir na moto', contou irmão da vítima

Por O Dia

Rio - Um adolescente de 17 anos foi assassinado com mais de 20 tiros, no Morro do Chapadão, na Pavuna, no último domingo. O corpo de Samuel Batista foi encontrado pelos familiares na Estrada do Camboatá, um dos acessos a comunidade dominada pelo Comando Vermelho (CV). Ele foi sepultado nesta terça-feira no Cemitério de Irajá. Familiares não sabem explicar o que motivou o crime.

Um irmão do garoto, que trabalha de garçom em um bar, contou que no domingo Samuel trabalhou durante toda a madrugada no local para fazer um dinheiro extra, já que um colega dele faria aniversário no dia e eles iriam comemorar com um churrasco. "Ele trabalhou a madrugada inteira e voltou para a casa (na Estrada do Camboatá) ás 5h da manhã. Eu deixei ele no ponto de ônibus. Assim que chegou, ele ficou esperando o cabeleireiro abrir, mas foi abordado por traficantes armados de fuzis", detalhou o irmão da vítima.

Segundo o rapaz, o jovem estava na calçada da via que fica ao lado do Morro da Pedreira, que é controlada pela facção rival ao Chapadão - Amigos dos Amigos (ADA). "Muitas pessoas que estavam em um mercado perto viram os traficantes mandando meu irmão subir na moto e apontado fuzil para ele. Todas pessoas contaram que ficaram gritando que ele era inocente, que não era envolvido com o tráfico, mas mesmo assim os bandidos subiram com ele", revelou o garçom, afirmando que soube do sequestro do irmão às 10h de domingo e foi direto para a comunidade.

Acompanhado de outros familiares e até de um pastor, eles interpelaram aos traficantes do Chapadão e receberam como promessa que Samuel seria liberado e não sofreria nada. Porém, o que aconteceu foi muito diferente. O corpo do adolescente foi localizado perto de um peixaria na Estrada do Camboatá com diversas marcas de tiros. "Foi maldade pura o que fizeram com o meu irmão. Mandaram mensagens para os amigos dele e os coleguinhas dele começaram a escrever que ele era inocente. Viram que estavam usando muitas gírias e os colegas disseram que ele era trabalhador e que estudava, mas nada adiantou", lamentou o garçom.

Samuel tem mais quatro irmãos. Ele era o quarto filho. "Era muito trabalhador. Durante a semana vendia biscoitos na Avenida Brasil e estudava a noite. Fim de semana me ajudava no bar", disse o irmão da vítima, emocionado. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DH), que já ouviu os familiares do menino. 

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