Padre morto: Execução ou latrocínio?

Essas são as principais suspeitas da polícia para o crime. Velório reuniu fiéis em igreja

Por thiago.antunes

Rio - Dezenas de pessoas passaram pela Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Nova Iguaçu, para se despedir do padre Francisco Carlos Barbosa, morto a facadas na madrugada de domingo, próximo da Via Light.

A motivação do crime intriga os investigadores. Para o delegado da Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), Paulo Evaristo, ainda não é possível descartar nenhuma linha de investigação.

"Pode ter sido latrocínio, que é um crime comum na Baixada, como pode ser uma execução. Em se tratando de um padre, somos induzidos a trabalhar mais com latrocínio. Mas a forma como o crime aconteceu nos chama a atenção porque não é comum para um crime de latrocínio”, afirmou.

O corpo apresentava duas lesões por faca, no peito e na cabeça, o que, segundo Evaristo, “não é uma dinâmica compatível com latrocínio”, e uma chave de automóvel foi encontrada com a vítima. “As investigações são prematuras ainda”, disse o delegado.

Uma equipe da DHBF apura todo o percurso feito por Francisco na noite de sábado e coleta imagens de câmeras de segurança da região do Lote 15. Durante a missa de corpo presente, frequentadores da paróquia afirmam categoricamente que Francisco não tinha qualquer envolvimento com política.

Entretanto, todos mencionam as obras sociais desenvolvidas pelo padre, que chegou a promover, no salão paroquial anexo à igreja, de forma apartidária, um evento com a presença de candidatos a vereadores da região. “Ele queria que os políticos explicassem o que eles fazem dentro da Câmara Municipal e deixava as perguntas muito a cargo dos que participavam”, disse Evaristo.

Para o padre Nelson Ricardo, porém, o assassinato não teve motivação política. “O que aconteceu é uma fatalidade, infelizmente, uma violência que está atingindo todas as pessoas, inclusive as que procuram fazer o bem no mundo”, afirmou.

“A figura do padre Francisco era notória. Era uma pessoa ativa, sempre à disposição das pessoas. Compreendia os problemas de cada um, fazia obras sociais. Ele nos passava paz, tranquilidade, amor e pregava a fé", disse o radialista Paulo Roberto Nogueira da Silva, de 67 anos, que frequenta a paróquia há mais de 30 anos. O corpo do padre deverá ser levado para Pernambuco, onde será enterrado. 

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