Festival do Vale do Café inclui visitas a fazendas históricas

Iniciativa surgiu durante Mapa Estratégico do Comércio, entre esta quarta e quinta-feira, em Valença

Por O Dia

Rio - Capítulos importantes da história do país são contados por guias turísticos em fazendas do Vale do Café, com saraus e apresentações com vestimentas de época. Em viagem ao século 19, lembram da presença da Família Imperial. Abolição dos escravos, história da primeira fazenda a alfabetizar negros, apogeu e queda dos barões completam o enredo. Há, ainda, a curiosa origem do queijo prato, criado no começo do século seguinte por uma família dinamarquesa na fazenda Vista Alegre. E até das visitas do presidente Getúlio Vargas, que descia de avião na Fazenda Ponte Alta, onde era recebido com tapete vermelho nos seus últimos cinco aniversários.

Fazendas históricas do Vale do Café dramatizam as histórias da época do Brasil Imperial%2C do século 19Divulgação

Histórias que passam a fazer parte do calendário do Festival do Vale do Café, com visitações a 12 fazendas históricas com sarau e café colonial. Uma iniciativa que surgiu em parceria com o Sistema Fecomércio RJ na sexta etapa do Mapa do Comércio, entre esta quarta e quinta-feira, em Valença. A 14ª edição do evento irá ocorrer entre os dias 22 de julho e 3 de agosto. A expectativa dos organizadores é de público de mais de 100 mil pessoas nos seis municípios da região. “É a cereja do bolo do evento. Cada vez mais, essas fazendas se preparam para explorar o turismo histórico”, afirma a diretora de produção Roberta Kelab.

O evento contará com espetáculos gratuitos de samba em oito cidades da região e oferecerá cursos gratuitos de música para 300 alunos. Outra novidade será a criação de um aplicativo para celular sobre o festival, com orientações sobre a localização das fazendas. “A aproximação do Sistema Fecomércio e dos sindicatos vai dar uma visibilidade maior ao evento”, garante o empresário Julio Cezar Rezende, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio) de Três Rios.

Uma visibilidade a histórias que também aguçam a curiosidade do público. Como de uma árvore em frente à fazenda Vista Alegre, em Valença, onde os turistas costumam posar para ‘selfies’. É que por ali passaram artistas consagrados, como Antônio Fagundes e Christiane Torloni, para gravar cenas da novela ‘A Viagem’, exibida pela rede Globo em 1994.

Três anos depois, a fazenda serviu de palco para uma gravação que seria sigilosa para um especial da Xuxa, que desceu de helicóptero. A equipe veio em quatro ônibus e três caminhões. O plano de uma filmagem com discrição foi pelos ares com o tombamento de um caminhão, que precisou ser retirado com a ajuda do Corpo de Bombeiros. “Sabe aquele produto que já está pronto? Essas fazendas são assim. E cada uma tem uma história para contar”, argumenta Vera de Mattos, proprietária da Vista Alegre.

Os proprietários das fazendas trabalham para plantar um café gourmetizado para os turistas, produto que dá nome à região. Mas que deixou de ser a identidade local há mais de um século.

Queijo, linguiça e cachaça

Queijo, linguiça e cachaça, produtos artesanais de pequenos comerciantes de Valença, inspiraram a criação de um evento gastronômico na região. “É o que mais produzimos aqui. Temos fábricas de queijos de alta qualidade. Mas também temos pequenos produtores que precisam vender. A ideia é montar uma festa em cima disso”, explica o empresário Marco Torres, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sicomério) de Valença.

Uma iniciativa que pode beneficiar pessoas como o casal José Carlos Rodrigues, o Teixeirinha, e Luzia Rodrigues, donos de um pequeno comércio que vende esses produtos. A linguiça é defumada ou comum. E a cachaça orgânica, produzida nos alambiques da região. “Um evento assim seria bom pra todo mundo”, sorri Teixeirinha, que oferece pedaços dos queijos meia cura, minas, fresco e temperado. “É assim que a gente conquista o cliente”, ensina. 

Fé passada por quatro gerações

Todo ano, a Festa de Nossa Senhora da Glória, padroeira de Valença, mobiliza a região, que recebe fiéis de todo o país por nove dias em agosto. A festividade ocorre há 150 anos e mobiliza 50 mil pessoas. Mas há um outro evento que dá um ar festivo à fé, misturando devoção com folia, numa tradição passada há quatro gerações.

Ao todo, 22 grupos se mobilizam para a Folia de Reis no ano inteiro. É uma das maiores festividades do gênero no país. E ocorre em uma cidade com pouco mais de 70 mil habitantes. A Folia do China, uma das mais tradicionais na cidade, começou com colonos.

A festividade ocorre entre 5 e 6 de janeiro, para celebrar a visita dos reis magos a Jesus. Mas os grupos já se organizam com cinco meses de antecedência. As roupas começam a ser produzidas a partir de outubro. Os músicos vestem um tecido enfeitado com lamê, um pano com brilho. Os palhaços ajudam a dar um ar circense e festivo ao evento. Há, ainda oficinas de música nas escolas. “É a maior folia do estado”, afirma Francisco José Ferreira, o Chico da Folia, responsável pela organização.

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Festival do Vale do Café inclui visitas a fazendas históricas O Dia - Rio De Janeiro

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Por O Dia

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Fazendas históricas do Vale do Café dramatizam as histórias da época do Brasil Imperial%2C do século 19Divulgação

Histórias que passam a fazer parte do calendário do Festival do Vale do Café, com visitações a 12 fazendas históricas com sarau e café colonial. Uma iniciativa que surgiu em parceria com o Sistema Fecomércio RJ na sexta etapa do Mapa do Comércio, entre esta quarta e quinta-feira, em Valença. A 14ª edição do evento irá ocorrer entre os dias 22 de julho e 3 de agosto. A expectativa dos organizadores é de público de mais de 100 mil pessoas nos seis municípios da região. “É a cereja do bolo do evento. Cada vez mais, essas fazendas se preparam para explorar o turismo histórico”, afirma a diretora de produção Roberta Kelab.

O evento contará com espetáculos gratuitos de samba em oito cidades da região e oferecerá cursos gratuitos de música para 300 alunos. Outra novidade será a criação de um aplicativo para celular sobre o festival, com orientações sobre a localização das fazendas. “A aproximação do Sistema Fecomércio e dos sindicatos vai dar uma visibilidade maior ao evento”, garante o empresário Julio Cezar Rezende, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sicomércio) de Três Rios.

Uma visibilidade a histórias que também aguçam a curiosidade do público. Como de uma árvore em frente à fazenda Vista Alegre, em Valença, onde os turistas costumam posar para ‘selfies’. É que por ali passaram artistas consagrados, como Antônio Fagundes e Christiane Torloni, para gravar cenas da novela ‘A Viagem’, exibida pela rede Globo em 1994.

Três anos depois, a fazenda serviu de palco para uma gravação que seria sigilosa para um especial da Xuxa, que desceu de helicóptero. A equipe veio em quatro ônibus e três caminhões. O plano de uma filmagem com discrição foi pelos ares com o tombamento de um caminhão, que precisou ser retirado com a ajuda do Corpo de Bombeiros. “Sabe aquele produto que já está pronto? Essas fazendas são assim. E cada uma tem uma história para contar”, argumenta Vera de Mattos, proprietária da Vista Alegre.

Os proprietários das fazendas trabalham para plantar um café gourmetizado para os turistas, produto que dá nome à região. Mas que deixou de ser a identidade local há mais de um século.

Queijo, linguiça e cachaça

Queijo, linguiça e cachaça, produtos artesanais de pequenos comerciantes de Valença, inspiraram a criação de um evento gastronômico na região. “É o que mais produzimos aqui. Temos fábricas de queijos de alta qualidade. Mas também temos pequenos produtores que precisam vender. A ideia é montar uma festa em cima disso”, explica o empresário Marco Torres, presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sicomério) de Valença.

Uma iniciativa que pode beneficiar pessoas como o casal José Carlos Rodrigues, o Teixeirinha, e Luzia Rodrigues, donos de um pequeno comércio que vende esses produtos. A linguiça é defumada ou comum. E a cachaça orgânica, produzida nos alambiques da região. “Um evento assim seria bom pra todo mundo”, sorri Teixeirinha, que oferece pedaços dos queijos meia cura, minas, fresco e temperado. “É assim que a gente conquista o cliente”, ensina. 

Fé passada por quatro gerações

Todo ano, a Festa de Nossa Senhora da Glória, padroeira de Valença, mobiliza a região, que recebe fiéis de todo o país por nove dias em agosto. A festividade ocorre há 150 anos e mobiliza 50 mil pessoas. Mas há um outro evento que dá um ar festivo à fé, misturando devoção com folia, numa tradição passada há quatro gerações.

Ao todo, 22 grupos se mobilizam para a Folia de Reis no ano inteiro. É uma das maiores festividades do gênero no país. E ocorre em uma cidade com pouco mais de 70 mil habitantes. A Folia do China, uma das mais tradicionais na cidade, começou com colonos.

A festividade ocorre entre 5 e 6 de janeiro, para celebrar a visita dos reis magos a Jesus. Mas os grupos já se organizam com cinco meses de antecedência. As roupas começam a ser produzidas a partir de outubro. Os músicos vestem um tecido enfeitado com lamê, um pano com brilho. Os palhaços ajudam a dar um ar circense e festivo ao evento. Há, ainda oficinas de música nas escolas. “É a maior folia do estado”, afirma Francisco José Ferreira, o Chico da Folia, responsável pela organização.

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