Comodidade é desafio para o BRT

Pesquisa aponta que maioria dos usuários aprova rapidez do sistema, mas reclama de desconforto

Por O Dia

Rio - Quase cinco anos após a inauguração do primeiro corredor expresso do Rio, o BRT tem registrado aumento na aprovação do serviço, mas ainda tem o desafio de melhorar o conforto no meio de transporte. É o que aponta pesquisa Datafolha encomendada pelo consórcio operador. O levantamento mostrou que falta de comodidade é a principal desvantagem apontada pela maioria dos passageiros (58%). Entretanto, 89% afirmaram que a redução de tempo na viagem é a maior vantagem de se usar o sistema.

Em 2016%2C 58% apontaram falta de comodidade como maior desvantagem%2C percentual menor que em 2015Arquivo O Dia

Em outra pesquisa realizada no ano passado, a falta de comodidade tinha sido apontada como principal desvantagem por 69% dos entrevistados. Na ocasião, a diretora de Relações Institucionais do BRT, Suzy Balloussier, reconheceu que a lotação dos veículos e das estações refletia esse tipo de insatisfação.

“Houve uma avaliação melhor em 2016 quanto à comodidade do que em 2015. Isso tem a ver com ampliação da frota por conta dos dois novos corredores (Transolímpico e Lote Zero do Transoeste, inaugurados este ano). A constituição de uma rede distribui melhor a demanda”, disse Suzy, ao apresentar os dados da nova pesquisa.

Para continuar reduzindo as reclamações sobre comodidade, Suzy cobra da próxima gestão municipal a continuidade da rede, como as obras do corredor Transbrasil, que estão suspensas desde julho. “Principalmente a parte do terminal de Deodoro até a Transolímpica. Fazer a Transolímpica chegar à Avenida Brasil é algo lógico”, acrescentou.

A pesquisa revelou ainda que, dos passageiros que já tiveram algum problema no BRT (22%), a resposta espontânea mais comum foi “problema com a máquina de recarga” (26%), seguida por “falta de segurança” (16%). Entre as questões de segurança mais relatadas estão vandalismo, assaltos e uso de drogas nos ônibus. Entretanto, o consórcio considera que a solução para esses problemas foge de seu alcance.

“Muitos dos problemas que acontecem nessas máquinas são or conta de nota presa. Brasileiro não cuida do dinheiro. Em fins de semana de praia, a pessoa vem com a nota amassada no bolso e molhada. Não tem máquina que resolva”, justificou Jorge Dias, presidente do BRT. Sobre a falta de segurança, Dias afirmou que segurança pública é dever do estado e que seria inviável economicamente colocar seguranças particulares em todas as estações. 

Transolímpico é o corredor mais bem avaliado e Transoeste, o pior

De acordo com o Datafolha, 81% dos passageiros entrevistados disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o BRT. No levantamento de 2015, esse quantitativo era de 74%. A pesquisa revela que o nível de satisfação diminui conforme aumenta o tempo de uso de cada corredor. Os usuários do Transolímpico, inaugurado este ano para os Jogos Olímpicos, são os que melhor avaliaram o sistema (aprovação de 88%). No Transcarioca, inaugurado em 2014, o índice foi de 84%. No Transoeste, entregue à população em 2012, 78%.

“Os mais novos, que estão com a estrutura mais em dia, tendem a ser mais bem avaliados. O Transoeste é um corredor que tem problemas estruturais históricos com os quais a gente luta para poder operar e dar conforto ao passageiro”, argumenta Suzy Balloussier.

Os pesquisadores fizeram 2.777 entrevistas, em 30 estações, entre os dias 31 de outubro e 9 de novembro.

Alexandre Rojas, engenheiro de Transportes da Uerj, considera o reforço em segurança um dos principais desafios para melhorar a qualidade do sistema em 2017. Ele cobra atenção do estado para combater vandalismo, assaltos e calotes. “Os calotes e o vandalismo podem até servir de argumento para as empresas justificarem aumento da tarifa. O estado precisa coibir essas ações”, avalia Rojas.

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