São João de Meriti quer Guarda armada

Convênio com a Polícia Federal deve ser assinado até junho. Nilópolis e Caxias também querem aderir

Por aline.cavalcante

O tema segurança pública tem tirado o sono dos prefeitos da Baixada Fluminense. Em São João de Meriti, por exemplo, além de aumentar o efetivo da Guarda Municipal, o prefeito Sandro Matos espera sinal verde para armá-la. O município busca recursos para a compra dos equipamentos. O convênio com a Polícia Federal deve ser assinado até junho. Nilópolis e Caxias também estudam a possibilidade.

“Depois das UPPs, no Rio, sofremos com a migração de bandidos e com o aumento da violência. Precisamos nos armar para proteger o bem mais precioso: a vida”, ressalta o comandante da Guarda de São João de Meriti, Worton Câmara Júnior.

Agentes de São João de Meriti usarão pistolas 380 e revólveres calibre 38Edson Taciano


Os 120 agentes do município passarão por treinamento de seis meses na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Eles serão capacitados para o uso de pistolas 380 e revólveres calibre 38.

“A atuação dos guardas não muda. Não vamos subir morro ou substituir a PM no enfrentamento da criminalidade, do tráfico de drogas,nem vamos substituir a função da Polícia Civil nas investigações do crime organizado. O que muda é que teremos como nos defender e também a população. Poderemos evitar assaltos e aumentar a segurança. Hoje o Batalhão da PM da cidade tem 240 homens. Com o convênio, seremos 360 agentes armados”, argumenta o comandante.

Nas ruas, a medida divide opiniões. “Tenho receio do abuso de autoridade e da violência aumentar”, diz Ivonete da Conceição, 52. O comerciante Joaquim dos Santos, 44, defende o armamento da Guarda. “Isso vai trazer mais segurança, estaremos mais protegidos”, opina.

Para Paulo Storani, antropólogo e especialista em Segurança Pública, a situação requer atenção. “Não sou contra o armamento, porém o contexto deve ser avaliado e a integração entre as polícias deve funcionar muito bem. Caso contrário, os danos podem ser terríveis ”, avalia.
A Polícia Militar não quis comentar o caso.

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