Amiga da família Boldrini confessa assassinato de Bernardo

Edelvania Wirganovicz disse em depoimento que madrasta aplicou injeção letal no braço esquerdo do garoto de 11 anos

Por O Dia

Rio Grande do Sul - A assistente social Edelvania Wirganovicz, amiga de Graciele Ugulini, confessou em depoimento sua participação no assassinato de Bernardo Boldrini, de 11 anos. Vídeo inédito gravado pela Polícia Civil no dia em que o corpo foi encontrado, na data de 14 de abril, no Rio Grande do Sul, foi exibido neste domingo no 'Fantástico', na qual mostra Edelvania relatando sua participação.

Assistente social Edelvania Wirganovicz confessa sua participação no assassinato de Bernardo BoldriniReprodução TV Globo

"Se ela não desse um fim nele agora, quando ele tivesse 18 anos ia destruir tudo o que eles tinham", Edelvania afirmou, acusando a madrasta de Bernardo, a enfermeira Graciele, de ter escolhido utilizar soda cáustica para enterrar o corpo por precisar de "um produto que dissolvesse a pele e não desse cheiro". "Ela disse para o garoto que ia levá-lo a uma benzedeira [...], aí pediu para ele deitar e aplicou a injeção letal na veia do braço esquerdo. E ele foi apagando."

Edelvania disse ter aceitado participar do crime devido a um pagamento de R$ 6 mil que lhe fora prometido pela amiga. Ela ainda afirmou que o pai do garoto, Leandro Boldrini, acusado de ter sido o mentor do assassinato, não sabia de nada, mas a madrasta já tinha planejado inclusive o lugar onde enterraria o corpo, em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a 80 km de Três Passos, onde a família vivia.

"O guri começou a agitar, a incomodar, então peguei alguns remédios, calmantes e dei para ele dormir", rebateu em depoimento feito no mesmo dia Graciele, rechaçando ter usado injeção letal em Bernardo. "Acho que dei calmantes demais. Chamei, sacudi ele e nada. Aí só pensei: 'precisamos dar um jeito neste corpo. Eu estava desesperada."

Depois da morte da mãe%2C em 2010%2C Bernardo sofreu vivendo com o pai e a madrastaarquivo pessoal

Segundo o advogado da avó de Bernardo, Marlon Adriano Taborda, Graciele faz teatro. Já o defensor de Leandro Boldrini, Jader Marques, reafirmou a inocência de seu cliente. Os advogados de Graciele e Edelvania não quiseram falar com a reportagem do programa da TV Globo.

O caso

Segundo o Ministério Público, a morte de Bernardo teve início em Três Passos, por volta das 12h, e culminou com sua execução, aproximadamente às 15h, em Frederico Westphalen no dia 11 de abril. Na ocasião, Graciele Ugulini levou o enteado até Frederico Westphalen. Ao iniciar a viagem, ainda em Três Passos, ministrou-lhe, via oral, a substância midazolam, sob o argumento de que era preciso evitar enjoos.

Em seguida, já na cidade vizinha, Graciele e Bernardo se encontraram com Edelvania Wirganovicz, amiga da madrasta, rumando, os três, para local antecipadamente escolhido na Linha São Francisco, Distrito de Castelinho, próximo a um riacho, onde uma cova vertical fora aberta dias antes.

Dando sequência ao crime, segundo a denúncia, Graciele Ugulini, sempre auxiliada por Edelvania Wirganovicz, com o pretexto de dar uma “picadinha” aplicou em Bernardo injeção intravenosa da substância midazolam, em quantidade suficiente para lhe causar a morte, conforme laudo pericial que atestou a presença do medicamento no estômago, rins e fígado da vítima.

O corpo de Bernardo, que estava desaparecido havia 10 dias, foi encontrado em uma área de mata na cidade de Frederico Westphalen, a cerca de 80 km de Três Passos, no dia 14 de abril. Ele estava sumido desde a semana anterior, quando teria saído de casa para ir dormir na casa de um amigo, onde nunca chegou.

No dia em que Bernardo sumiu, a madrasta foi multada por excesso de velocidade em uma rodovia a caminho de Frederico Westphalen.

Últimas de _legado_Brasil