Ato pede elucidação de chacina que matou 18 pessoas em São Paulo

“A sociedade precisa saber o que aconteceu, para evitar que aconteçam novos casos”, disse Cláudio Nishikawara, voluntário da Rio de Paz, que coordenou o protesto

Por O Dia

São Paulo - Voluntários da ONG Rio de Paz fizeram ato, por volta das 8h desta quinta-feira, em solidariedade às famílias das 18 pessoas assassinadas na chacina que ocorreu no último dia 13 nas cidades de Osasco e Barueri. Os ativistas vestidos de preto se amordaçaram, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e seguraram uma faixa pedindo a elucidação do caso.

“A sociedade precisa saber o que aconteceu, para evitar que aconteçam novos casos”, disse Cláudio Nishikawara, voluntário da Rio de Paz, que coordenou o protesto. Segundo ele, os voluntários se amordaçaram para simbolizar o medo. “A gente está percebendo que as pessoas da região de Barueri e de Osasco não se manifestam com medo de retaliação”, declarou.

A Rio de Paz, que atua em defesa da vida, quer oferecer apoio jurídico e social às famílias. Para Cláudio, é revoltante o fato de o assassinato em série não ter recebido repercussão na mídia. “Chacina dessas, se ocorresse em Moema, nos Jardins, em Perdizes [bairros nobres da capital paulista], teria muito mais cobertura da imprensa. Muito mais sensibilidade da sociedade paulistana. O problema é a cultura de tratarmos quem mora em periferia, nos lugares menos favorecidos, como os 'matáveis'. Quase como se fosse uma higienização social”, disse ele.

Na última segunda-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou a recompensa da R$ 50 mil por informações que ajudem a elucidar a chacina. Para receber a recompensa, o denunciante deve repassar as informações pelo sistema do Web Denúncia. A página funciona 24h por dia e garante o anonimato do informante.

As investigações apontam que três grupos foram responsáveis pelos ataques e que pelo menos 10 criminosos participaram da chacina. O secretário de Estado de Segurança Pública, Alexandre Moraes, não descarta a possibilidade de envolvimento de policias nas mortes.

Segundo os dados da ouvidoria, de janeiro a julho deste ano, policiais militares em serviço mataram 454 pessoas no estado. No mesmo período, 32 policiais foram mortos (23 fora de serviço). Em todo o ano de 2014, policiais militares em serviço mataram 801 pessoas.

Fonte: Agência Brasil

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