Rogério Lisboa: A pior crise das UPPs

A pacificação não pacificou, e a ocupação não ocupou como deveria ocupar

Por O Dia

Rio - Não é novidade que as UPPs, único projeto de segurança do governo do estado, vão mal. A pacificação não pacificou, e a ocupação não ocupou como deveria ocupar. Recentemente caiu por terra o oásis no Morro Santa Marta, em Botafogo, onde foi inaugurada a primeira UPP, em dezembro de 2008. Houve confronto e tiroteio na favela, até então exemplo da pacificação. E o problema não é dinheiro.

Sete anos depois, a maioria das 38 UPPs vive rotina de tiros, medo e guerra de traficantes. E a inação do estado põe em risco a vida de moradores e de nossos policiais, expostos no meio do fogo cruzado, tendo que se refugiar em contêineres frágeis — como esta política de segurança.

Dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que em fevereiro, março e abril 1.093 pessoas foram assassinadas no estado, somados homicídio doloso e latrocínio (roubo seguido de morte). Das mortes, 408 ocorreram na Baixada; 266, no interior; 101, na Grande Niterói, e 318 na capital — sendo seis na Zona Sul. Os números traduzem a realidade violenta à medida que nos afastamos dos cartões-postais. Quem diz é a PM: enquanto na Maré e no Alemão, onde vivem 200 mil pessoas, existem três mil policiais, na Baixada, composta por 13 municípios, com 1,2 milhão de habitantes, são 4.077 policiais.

De janeiro a abril, o governo gastou em segurança R$ 2,2 bilhões, quase 50% mais do que em Educação e Saúde (R$ 1,4 bi cada pasta), segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios, da Secretaria Estadual de Fazenda. Ou seja, não é falta de dinheiro.

A política de segurança está errada. Beltrame gasta mal. Os serviços não chegaram às comunidades (armas e drogas continuam chegando); faltam ao estado o braço social nas comunidades e a qualificação para jovens em situação de risco (mão de obra fácil para o tráfico); falta investir e qualificar melhor o policial; falta compromisso verdadeiro, e não eleitoral, para lidar com problema que não é combatido só com repressão, mas com estratégias capazes de mapear os desafios e trazer a população como aliada da pacificação. Falta parar de blá-blá-blá de gabinete e mudar a política de segurança.

Rogério Lisboa é líder do PR na Alerj

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