Editorial: Dubiedade fora de hora e de propósito

Neste momento delicado, espera-se do segundo na sucessão da Presidência a clareza em relação ao lado em que está

Por O Dia

Rio - De certas figuras da República se espera o zelo de medir as palavras. Em tempos de crise e dissonâncias, como este, são legítimas manifestações de descontentamento e críticas, desde que num tom responsável. Foi um tanto fora desse contexto fala recente do vice-presidente da República, para quem é “difícil” a presidenta suportar até o fim do mandato diante da impopularidade.

Ainda que o vice tenha, momentos depois, garantido não ter intenções de demover Dilma do poder, como querem muitos de seus opositores, soa no mínimo dúbia sua afirmação. Ainda mais dentro do contexto de ter declinado da função de articulador político, cargo de fato extenuante, mas que, na atual crise entre os poderes, fazia muita diferença.

Trabalha-se para aparar as arestas e talvez desdizer as palavras. Mas, neste momento delicado, espera-se do segundo na sucessão da Presidência a clareza em relação ao lado em que está: se daqueles que querem corrigir os rumos do país ou se dos que pretendem desnorteá-lo.

Últimas de _legado_Opinião