Editorial: Exemplo de fisiologismo de corrupção

O escândalo do pagamento de propinas a agentes do governo para liberação de pesca ilegal é cena final de um extinto ministério

Por O Dia

Rio - O escândalo do pagamento de propinas a agentes do governo para liberação de pesca ilegal é cena final de um extinto ministério, o da Pesca, que nunca disse ao que veio. Louve-se mais uma vez a Polícia Federal. Após longas investigações, chegou à quadrilha e prendeu o secretário nacional de Pesca, Clemerson Pinheiro da Silva, o superintendente do Ibama Américo Antunes e outras 17 pessoas.

Nos cinco anos desde sua criação em 2010, o Ministério da Pesca foi o que mais trocou de titulares: seis. Nesse período, nem a pesca industrial nem a produção pesqueira avançaram um milímetro sequer, e a pesca esportiva segue acéfala sem nenhum incentivo governamental.

Pior, nesse pouco tempo, a pasta foi alvo de graves denúncias do Tribunal de Contas da União: lanchas superfaturadas, pagamento ilegal de seguro-defeso, pedalada na produção pesqueira e este vergonhoso esquema de propinas para liberar embarcações ilegais. O pior do fisiologismo de interesses partidários com a corrupção enraizada no DNA da política.