Morto por causa de jornal

Denúncias do ‘Hora H’, da Baixada, são a principal linha de investigação de assassinato

Por O Dia

Rio - A morte do diretor administrativo do Jornal Hora H, da Baixada, José Roberto Ornelas, de 42 anos, pode ter sido provocada por causa do conteúdo editorial da publicação. Esta é a principal linha de investigação da Polícia Civil. A vítima era filho do dono do veículo de comunicação e, segundo médicos, levou pelo menos 44 tiros, terça-feira, em Nova Iguaçu.

“Trata-se de um veículo de comunicação combativo. Sabemos que esse crime foi planejado, e os executores fizeram um estudo prévio da vida da vítima”, afirmou o delegado da 58ª DP (Posse), Marcos Henrique Oliveira, que já assistiu imagens de câmeras de segurança da padaria onde ocorreu o crime para tentar encontrar mais pistas do crime.

O empresário Luciano Ornelas, de 37, irmão de José Roberto, mais conhecido como Betinho, reforça a suspeita: “O jornal falava do mau policial e do mau político”.

Jornal ‘Hora H’ fica em Nova Iguaçu%2C cujo proprietário é pai da vítimaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

De acordo com parentes e amigos, Betinho recebia ameaças constantes e, por isso, teria passado a andar armado. Ele já havia sido indiciado por dois homicídios, extorsão e formação de quadrilha.

Em 2003, chegou a ser preso, acusado do assassinato do então subsecretário de Governo e presidente da comissão de licitações da Prefeitura de São João de Meriti, Kenedi Souza, de 52. Depois, foi absolvido por falta de provas.

À espera de laudos

Betinho foi executado numa padaria no bairro Corumbá por pelo menos três homens encapuzados que chegaram num carro prata. O estabelecimento, que permaneceu fechado nesta quarta-feira, é equipado com câmeras de segurança.

O delegado também aguarda resultado da perícia no local e o exame cadavérico, a fim de saber, exatamente, quantos tiros atingiram Betinho. Ele foi baleado pelas costas e não teve tempo de reagir.

PF dirá sobre porte de arma apreendida

O delegado Marcos Henrique contou que irá convocar parentes e a companheira do morto. A pistola que Betinho portava, calibre 380, foi apreendida.

A arma estava registrada em nome de pessoa jurídica, que não foi revelada. O policial enviou ofício à Polícia Federal para saber se Betinho tinha porte de arma.
De carro blindado, Betinho chegou a ser vítima de atentado em 2005, mas nada sofreu.

Segundo moradores do bairro Corumbá, onde o empresário morava, o diretor do Hora H era querido na região. “Era uma pessoa maravilhosa, todos gostavam dele. Estamos surpresos com toda essa violência”, relatou morador. 

O corpo de Betinho foi velado no Clube IBC, em Nova Iguaçu. O sepultamento aconteceu no final da tarde desta quarta-feira, em Paracambi.


?Colaborou Marcello Victor

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