Comércio volta a abrir em Ipanema

Clima ainda é de apreensão na região. Em Copacabana, lojas ficaram fechadas em trecho

Por O Dia

Rio - Um dia após parte do comércio em Ipanema ser fechado por ordem do tráfico do Morro do Cantagalo, o clima ainda era tenso na região. As lojas da Avenida Visconde de Pirajá, ruas Teixeira de Melo e Sá Ferreira, e próximas à estação Cantagalo do metrô, voltaram a funcionar normalmente neste domingo.

Já os estabelecimentos comerciais do morro permaneceram de portas fechadas, segundo PMs que faziam patrulhamento na região. No sábado, criminosos haviam ordenado o fechamento do comércio em luto pela morte de Petrick Costa dos Santos, de 21 anos. Conhecido como Cachorrão, o rapaz foi baleado após reagir a uma abordagem de policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade, na noite de sexta-feira.

Polícia reforçou patrulhamento, mas moradores de bairro não disfarçavam a apreensãoCarlos Moraes / Agência O Dia

Apesar da aparente normalidade, o clima na região ainda é de apreensão. Uma comerciária do Hortifrutti na Rua Teixeira de Melo com Barão da Torre, admitiu a prevenção de manter fechadas as portas laterais. "Vamos funcionar normalmente, porém apenas a entrada frontal foi aberta", contou. Já segurança da loja tentou amenizar negando que o motivo fosse o medo de represália. “As portas estão fechadas para manutenção”, argumentou o funcionário que não quis se identificar.

Um padaria da mesma rua estava aberta normalmente, mas no sábado o local funcionou com metade das portas arriadas. “Isso aconteceu logo após um homem de bicicleta passar aqui em frente dizendo que era para a gente fechar o comércio”, conta o gerente.

Ameaça com paus e pedras

No supermercado Zona Sul da esquina das ruas Teixeira de Melo com Visconde de Pirajá, a direção decidiu não fechar, mas o clima ficou tenso no sábado quando homens, vendo que o mercado não fechava, fizeram ameaças e jogaram paus e pedras na porta lateral de carga e descarga.

“Como vimos o policiamento reforçado na rua, optamos em não ceder as ameaças. Contudo, o clima era de medo entre nós funcionários após o barulho das pedradas na porta dos fundos do mercado”, comenta um dos funcionários do supermercado. Ele relatou ainda que um homem de cor negra, aparentando 20 anos e camisa verde foi a pessoa que passou ordenando o fechamento. “Ele disse que a gente iria fechar por bem ou por mal”, disse.

Supermercado ficou aberto mesmo após homens terem feito ameaças e jogarem paus e pedras em porta lateralCarlos Moraes / Agência O Dia

O comerciário informou ainda que havia um segundo homem, se passando por entregador, amedrontando os donos dos comércios. “Ele estava de bicicleta de carga passando na porta das lojas dizendo que era para fechar, para não sofrer represália”, acrescenta o funcionário.

A gerente da loja Marisa da Rua Visconde de Pirajá, informou que teve prejuízo de mais de R$ 20 mil no sábado. “A nossa loja só ficou parcialmente fechada por 20 minutos quando veio a ameaça e logo depois voltamos a abrir quando o policiamento foi reforçado. Entretanto, as ruas ficaram literalmente vazias”, explica. “O movimento no sábado caiu 50%. Normalmente vendemos de R$ 30 mil a R$ 40 mil num dia como este. Fechamos apenas com R$ 18 mil”, relata a gerente.

Em Copacabana, comércio fechou em trecho

Já em Copacabana, o comércio fechou entre a Rua Raul Pompéia e Avenida Nossa Senhora de Copacabana, um trecho de quase 4 km. Segundo moradores do bairro, que não quiseram se identificar, a ordem teria partido do tráfico. Por volta das 17h, muitos fogos foram ouvidos nas imediações. 

Colaborou Vania Cunha

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