Mulher que teve filho assassinado pelo ex: 'Ele se transformou em um monstro'

A. foi chamada na delegacia, chegou a ver o ex-companheiro e contou ter sido ameaçada na frente dos policiais

Por O Dia

Cícero diz que disparo foi acidental%3A ‘Saí correndo. Nem vi como ele caiu’Carlo Wrede / Agência O Dia

Rio - Pouco mais de um mês após matar o filho mais velho, em São Paulo, o eletricista Cícero Medeiros Mendes de Souza, de 40 anos, foi preso nesta segunda-feira, na Praça Seca, em Jacarepaguá. Ele acabou sendo reconhecido por policiais militares num ponto de ônibus, perto da casa onde a ex-companheira — que denunciou sucessivas ameaças de morte dele — estava escondida. Na mochila de Cícero, a PM encontrou a arma usada no assassinato, que teria sido cometido em represália ao fato de a mulher ter acabado com o relacionamento.

Na 28ª DP (Campinho), o eletricista confessou que matou o filho, mas alegou que o disparo foi acidental. Ele será encaminhado nesta terça-feira para o Complexo Penitenciário de Gericinó. O caso foi noticiado com exclusividade pelo DIA no mês passado.

Quando soube da prisão, a ex-mulher dele, A., de 33, chegou a ir até a viatura para ver o ex-marido e foi ameaçada novamente. “Recebi o telefonema da inspetora e fui até lá para ver com meus próprios olhos. E ele me ameaçou na frente de todo mundo. Disse que iria me matar. Ele se transformou em um monstro.”

Aparentando tranquilidade e falando pausadamente, Cícero contou na delegacia detalhes do dia 2 de fevereiro, quando matou o primogênito, Robson Vitor da Silva, 19. “Fui conversar com o Robson porque sabia que ele estava envolvido com drogas. Já sabia que ele tinha comprado uma arma e vi que ela estava debaixo da coberta”, afirmou.

“Ele estava alterado e disse que não era para eu gritar com ele porque a partir daquele momento seria diferente. Ele andou em direção à arma. Fui atrás, e então ela disparou. Saí correndo. Nem vi como ele caiu”, declarou o eletricista, que diz só ter tomado conhecimento da morte do filho pela irmã, por telefone.

“Liguei para ela depois para saber dele, e ela falou que ele tinha falecido. Não fui ao enterro porque estava sendo ameaçado de morte. Não sei o que ele (o Robson) fez porque até o PCC (Primeiro Comando da Capital, organização criminosa de São Paulo) estava atrás de mim”, afirmou Souza.

Perguntado se estava arrependido, o eletricista não demonstrou emoção. “Foi um acidente. Também acho que faltou uma conversa minha e da mãe com ele.”

Sobre a perseguição à ex-mulher, que desde novembro registrou quatro vezes as ameaças de Cícero na delegacia, o eletricista diz ter sido ‘exagero’ dela. “Sei onde eles (ela e os dois filhos) moram, se eu quisesse fazer algo, já tinha feito. Não desejo mal a eles”, declarou o preso, que caiu em contradição ao tentar explicar o motivo de estar no mesmo bairro da ex-companheira, nesta segunda-feira.

Primeiro, afirmou que tinha ido à Praça Seca levar dinheiro para A., mas, no final da conversa, alegou que estava procurando o irmão. “É tudo mentira dele. Ele estava era querendo me matar mesmo. Já tinha me ligado várias vezes, dizendo que iria me achar e iria acabar comigo e com a minha irmã”, comentou A.

Na delegacia, o eletricista alegou que iria para o Ceará ver meus pais: “Depois iria para São Paulo me entregar à Justiça”, garantiu. 

Poucas horas na cadeia

O eletricista já havia sido detido em São Paulo, em 2014, por conta das ameaças à ex-mulher, mas foi solto 24 horas depois.

“Vou ficar mais tranquila sabendo que ele está preso. Espero que ele pague por tudo que fez”, declarou A.

Cícero foi autuado por porte ilegal de arma e pelas ameaças feitas à ex-mulher. Por esses crimes, segundo o delegado da 28ª DP (Campinho), Fábio Pacífico, ele pode pegar de três a seis anos de prisão.

Na semana passada, a 3ª Vara do Juizado de Violência Doméstica do Rio já havia expedido mandado de prisão contra o eletricista.

“Agora que ele está preso, pode ficar à disposição da Justiça. Vamos ficar em contato com São Paulo para ver se ele será transferido por conta do homicídio”, apontou o delegado.

A polícia paulista não informou se havia mandado de prisão contra ele pela morte do filho.

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