Asfalto nas ruas de fuga, em Magé

Obra atraiu motoristas que fogem do pedágio da CRT

Por O Dia

Renato Couto, 25, morador de Vila Recreio, em Magé, até cinco meses atrás vendia frutas e legumes no Ceasa, em Irajá, na Zona Norte do Rio. Sua jornada diária de trabalho era de 13 horas e ganhava R$ 350 por semana.

Renato agora vende frutas na porta de casa Estefan Radovicz / Agência O Dia

Agora, tem um sacolão na porta de casa, onde fatura R$ 500 e ainda tem tempo maior para a família. A mudança aconteceu depois que a prefeitura asfaltou a Rua D, usada por motoristas como fuga do pedágio da BR 116 (Rio-Teresópolis), que antes era esburacadas e sem iluminação.

A revitalização no comércio local, no entanto, está ameaçada. Segundo moradores, a CRT — concessionária que administra a rodovia — quer fechar o acesso do Km 134, sentido Rio. “Querem trancar a gente de qualquer jeito. Aqui, não é condomínio”, disse Couto.

Luiz Henrique da Silva, 40, também montou um sacolão e chega tirar até R$ 8 mil por mês de lucro. De acordo com o comerciante, se a entrada for fechada, os moradores também ficarão sem serviços essenciais, como saúde. “A ambulância não conseguirá entrar. Se eles têm o direito de ganhar, nós também. Queremos nos regularizar para andar correto”, afirmou.

Quem também tem motivos de sobra para se preocupar com o fechamento do acesso são os motoristas que trafegam diariamente pelo local. O comerciante William Cruz, 40, de Magé, vai todos dias trabalhar em Caxias.

Retorno é feito antes das cabines no sentido Teresópolis.Estefan Radovicz / Agência O Dia

Se passar a pagar o pedágio, a despesa aumentará em média R$ 700. “Gasto apenas cinco minutos a mais que o caminho normal do pedágio”, revela o comerciante.

Já o vendedor Bruno Santana, 31, de Teresópolis, passa pelo local pelo menos três vezes por semana para trabalhar no Centro do Rio. “Não podem fechar sem ter outro acesso. Sempre gasto o dinheiro que seria do pedágio, comprando frutas”, afirma.

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