Menino é baleado enquanto brincava após perseguição policial em Coelho Neto

Suspeito que fugia da polícia também foi baleado e acabou morto. Criança de 7 anos caiu após ser atingida e teve afundamento de crânio

Por O Dia

O menino Márcio%2C atingido de raspão e atropelado%2C está internado no Hospital Getúlio Vargas%2C na Penhaarquivo pessoal

Rio - Uma criança de 7 anos foi baleada de raspão e atropelada enquanto jogava bola em uma rua sem saída, durante uma perseguição policial em Coelho Neto, na Zona Norte, na noite do último sábado. O menino, atingido no braço, foi jogado contra a calçada e bateu com a cabeça. Márcio Arthur Borges Matias Pereira teve afundamento de crânio e traumatismo encefálico, e está internado no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. O suspeito que fugia da polícia foi baleado e morto.

Segundo Thamires Borges Matias, mãe de Márcio Arthur, ele jogava bola com outras crianças na Rua Cimbres, que é sem saída, por volta das 20h, quando o veículo, seguido pelo da PM, entrou na via e começou um intenso tiroteio. O menino, que tem quadro de saúde estável e segue internado, relatou à mãe o pouco que lembrou do momento.

"Ele falou que o carro meio que jogou ele para a calçada junto com a estrutura de gol, que as crianças usavam para jogar bola, e bateu com a cabeça. O tiro pegou no braço só de raspão, graças a Deus. Ele ainda perdeu parte do tecido da orelha", disse. Ainda de acordo com Thamires, tudo aconteceu muito rápido. "Foi questão de minutos, quando cheguei ele já estava caído no chão", contou. Ela não sabe se foi o carro dos bandidos ou o da polícia que atingiu Márcio.

Criança segue internada, mas estável

Apesar do forte impacto que teve na cabeça, causando o afundamento do crânio e o traumatismo, Márcio está se recuperando bem no Hospital Getúlio Vargas, de acordo com a mãe.

Ele passou por cirurgia assim que chegou na unidade e está sendo realizada a drenagem da secreção e do sangue que está na cabeça. "Não pode liberar enquanto tiver secreção e sangue, eles acabaram de abrir o curativo para limpar. Ele deve ficar internado ainda de 24 a 48 horas", acredita a Thamires, com base nos relatos dos médicos. Hoje o menino começou a beber água e a alimentação pode ser liberada à tarde.

Moradores pedirão cancela para a rua

A mãe de Márcio disse que a Rua Cimbres é muito tranquilo, mas após o episódio os moradores pretendem ir à prefeitura para pedir autorização para colocar uma cancela na sua entrada. 

"Aqui é uma rua sem saída. Elas (as crianças) ficam livres, à vontade, não tem perigo. A rua estava cheia a rua e as crianças brincando", falou. Segundo ela, a filha de uma amiga também foi atingida por estilhaços, mas nada grave.

A manicure lamentou a rotina de violência no Rio e disse que estuda processar o estado. "Não podemos ficar reféns, precisamos de mais segurança. A gente não sabe quem começou os tiros, mas a rua era sem saída, precisaria de todos aqueles tiros? Foi muito tiro, uma coisa assustadora", desabafou.

Rua Cimbres%2C em Coelho Neto%2C onde criança brincava no momento em que foi atingida%2C é sem saída. Moradores querem autorização para colocar cancelaReprodução Google Maps

De acordo com a PM, a perseguição começou após o roubo do carro em que estava o criminoso. O homem teria atirado contra os policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) e fugido. Ainda de acordo com a corporação, os PMs só tomaram conhecimento do ocorrido com o menino após moradores que prestaram socorro informarem.

Ainda segundo a PM, uma viatura do 9º BPM foi ao hospital colher informações e prestar auxílio posteriormente. Questionada sobre qual veículo atingiu o menino, a corporação informou não ter esta informação e que "as circunstâncias serão apuradas pela investigação."

O suspeito, não identificado, foi baleado e chegou a ser levado para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, mas não resistiu e morreu. Com ele foi apreendida uma pistola.

O caso foi registrado na Delegacia de Homicídios da Capital. Segundo a especializada, o carro havia sido roubado minutos antes na Rua Piratuba, esquina com a Rua Lajeado, no Colégio. Uma perícia foi realizada no local e o caso está sendo investigado.

Últimas de Rio De Janeiro