Inaugurada para Olimpíada, Orla Conde está abandonada

Vias esburacadas, bancos quebrados, madeiras estragando com a ação do tempo e gramado com a vegetação ressecada contrastam com a paisagem

Por O Dia

Rio - Há seis meses inaugurada para os Jogos Olímpicos do Rio, a Orla Conde já atraiu milhares de turistas de todo o mundo. Mas não está tão bonita agora. Quem circula por lá, se surpreende com a falta de conservação. Vias esburacadas, bancos quebrados, madeiras estragando com a ação do tempo e gramado com a vegetação ressecada contrastam com a paisagem do local, passando pela Região Portuária, Praça Mauá, praças da Candelária e 15 até a Praça Marechal Âncora. A réplica do avião 14 Bis, exposta em frente ao Museu do Amanhã, está com o tecido rasgado e estrutura enferrujada. Símbolo do descaso e abandono.

Taxista há sete anos, Laerte Cabral dos Santos, 38, tem ponto fixo na saída das Barcas, ao lado da Praça Marechal Âncora, onde termina a Orla Conde. Ele conta que precisa seguir em zigue-zague para desviar dos buracos. “Prejudica a suspensão, pneu... Quando tem feira, nem dá para fugir dos buracos que acerto uma barraca. Depois da obra, somos obrigados a passar pelo tribunal para ir no sentido Zona Sul. Tinham que rever esse esquema de trânsito aqui”, reclama.

Reportagem do DIA flagrou o local com buracos no chão e nas viasEstefan Radovicz / Agência O Dia

No acesso de veículos à Praça Marechal Âncora, há uma obra da Secretaria Municipal de Conservação parada. O motorista particular Rivelino Marcílio vai com frequência ao local e nunca viu funcionários no canteiro. “Tem um mês e meio que vejo desse jeito, vazio. Olha o material! Isso parece granito. Tinha que ser um asfalto mais resistente. Por aqui passa caminhão”, reclama.

Moradores de rua

Apesar da presença da Guarda Municipal e policiais do Centro Presente, nem sempre há grande circulação de visitantes. A equipe de O DIA constatou presença de moradores de rua em meio à sujeira no chão, apesar das lixeiras instaladas em toda a praça. “Aqui, aparece muito jovem. Já vi usarem droga e tudo”, revela Rivelino.

Segundo a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente, os trechos do piso e da via em granito da Praça Marechal Âncora estão desde janeiro sendo reparados semanalmente, de acordo com uma programação. “A previsão para a conclusão dos trabalhos é de 45 dias, conforme condições climáticas”, diz a nota da secretaria.

Reportagem do DIA flagrou o local com buracos no chão e nas vias%2C como no ponto de táxiEstefan Radovicz / Agência O Dia

Já a Comlurb garantiu uma vistoria no local neste fim de semana. “Em seguida, serão tomadas as providências cabíveis, quanto ao que é de responsabilidade da companhia”, informou também por meio de nota. A Companhia de Limpeza Urbana é responsável pelo asseio do local e conservação dos bancos de concreto.

Seguindo pela orla, na Praça da Candelária, há atrativos para o público, como um food park e a própria Pira Olímpica. Uma área de recreação infantil foi instalada com escorrega e camas elásticas, mas uma delas já arrebentou. O gramado ressecado é constante ao longo de toda a rota. Mas no acesso à Praça Mauá, o verde é tão escasso que chama a atenção dos turistas.

Marcia Camejo, 51, veio de Pelotas (RS) com a família e criticou a falta de manutenção. “Em alguns países, a vegetação é trocada de acordo com a estação. Podiam fazer isso aqui. É patrimônio nosso”, comenta.

A folhagem ressecada ao longo da orla impressiona. Fátima Salvador, 62, que chegou ao local em um navio, diz que viu mangueiras expostas nos jardins. Mas não pareciam funcionar. “Está tudo ressecado, não devem ligar aquilo”, supõe. Enquanto fazia registro da réplica do 14 Bis, Fátima e a família lamentaram o estado de conservação. “É triste ver esse abandono”.

Calor afeta vegetação, diz gestora

A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), empresa da prefeitura responsável pela gestão do Porto Maravilha, esclareceu que os jardins da Praça Mauá são irrigados de segunda a sexta-feira, mas que devido à época do ano de calor intenso e baixa pluviosidade, a vegetação tende a ficar mais ressecada.

No entanto, informou que já determinou a intensificação das práticas de rotina e reposição das espécies após o Carnaval.

Quanto ao 14bis, a Cdurp explicou que a instalação é provisória,referente à exposição ‘O poeta voador, Santos Dumont’, que já terminou. “A réplica foi confeccionada em lona e ferro remetendo aos materiais utilizados por Santos Dumont e será desmontada na próxima semana”.

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