Escolas municipais pedem paz

Atividades nas 1.537 unidades de ensino ontem, reuniram pais, alunos e funcionários. Teve música, teatro e arte pelo fim da violência

Por O Dia

Rio - “Ser educadora em um ambiente tão hostil é um desafio, mas esta profissão é amor”. A definição é da professora Solange Coelho, 51 anos, diretora do Ciep Chanceler Willy Brandt, no Jacaré, onde intensos tiroteios deixam alunos sem aula há sete dias. A escola que Solange dirige é uma das 1.537 unidades de ensino que participaram ontem, do ato ‘Encontros pela Paz’, promovido pela Secretaria Municipal de Educação (SME). O movimento envolveu alunos, pais, professores e funcionários através de músicas, teatro e cartazes pelo fim da violência.

Alunos do Ciep Will Brandt%2C no Jacaré%2C fizeram cartazes e desenhosEstefan Radovicz / Agência O Dia

Com o slogan ‘Aqui é um lugar de paz’, a ação animou os estudantes e os coordenadores. “Hoje é um dia muito especial. Estamos em um momento de amor. Precisamos de paz e só se constrói paz, com educação”, afirmou Claudio Maia Figueredo, coordenador da 3ª CRE, que abrange algumas das comunidades mais violentas dos últimos tempos como o Jacarezinho, Lins de Vasconcelos e o Complexo do Alemão.

O projeto da prefeitura levou atividades alegres para as crianças em diversas comunidades. Na edição de ontem, no Jacaré, alunos dançaram, cantaram e fizeram oficinas de desenho. “As escolas aparecem como vítimas que assolam a cidade, é verdade, mas em parte. Elas são grandes polos de resistência e isso fica muito escondido. Hoje (ontem) foi um dia que as escolas saíram dos muros em busca da paz”, declarou o secretário municipal de educação César Benjamin.

Por conta da operação no Jacarezinho ontem, 3.317 alunos ficaram sem aula. De acordo com a SME, além de expor centenas de vidas à violência diariamente, os confrontos na cidade já provocaram o fechamento de 388 escolas desde o início do ano, deixando 131.783 mil alunos fora das unidades de ensino.

A 3ª e a 6ª CRE, da Zona Norte, são as áreas mais afetadas pela violência e, consequentemente, a falta de aula. “Professores reclamam dos constantes confrontos. Alguns ficam presos nos corredores com os alunos para que nenhuma bala perdida os atinja”, lembrou Claudio. Segundo César Benjamin, os protocolos para operação policial no entorno de escolas estão sendo aperfeiçoados a todo momento. 

Do estagiário Rafael Nascimento, sob supervisão de Maria Inez Magalhães

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