SAP constrói sua nuvem na América Latina

Companhia alemã de software vai instalar data centers no Brasil e no México para acelerar expansão na região

Por O Dia

Cerca de 25 mil pessoas das mais diversas origens estão reunidas nesta semana no Orange County Convention Center, em Orlando (EUA), onde a SAP está realizando seu evento anual para parceiros e clientes. Em meio à confusão causada pela mistura de idiomas e sotaques tão diferentes, a companhia alemã de software está deixando uma mensagem bem clara para o mercado: o foco na computação em nuvem e a integração dessa vertente com a sua plataforma de análise de dados em tempo real Hana será o norte estratégico de crescimento da empresa para os próximos anos. E para marcar território no novo posicionamento, a SAP tem um plano de investimentos para a América Latina, um dos mercados de mais rápida expansão para a companhia nos últimos anos.

"Para alguns segmentos, como o setor público, não ter um centro de dados no Brasil é um dos fatores que limitaram nossa penetração”, afirma a Presidente da SAP, Cristina PalmakaPatricia Stavis / Agência O Dia

“A América Latina é o mercado de software que mais cresce no mundo. Temos muitos parceiros e clientes desenvolvendo iniciativas na região e queremos aproveitar esse bom momento para acelerar nossa estratégia de nuvem alimentada pela plataforma Hana”, afirmou Diego Dzodan, presidente da SAP para a América Latina, durante conversa com jornalistas da região.

Sob esse contexto, a instalação de data centers na região é um dos principais pilares do plano traçado pela SAP. Brasil e México, nessa ordem, serão os países alvo desse investimento — de valor não divulgado — ainda em 2014. Os dois projetos ainda estão em fase de definição dos parceiros, das linhas de serviços que serão ofertadas e das cidades que sediarão essas estruturas, disse Dzodan. “Estamos analisando todos os detalhes, pois um projeto desse porte envolve muitos requisitos técnicos e de segurança e os data centers são um ponto chave para a nossa estratégia. Mas teremos novidades em, no máximo, dois meses”, observou.

A decisão da SAP de investir em data centers locais segue um caminho percorrido também por outras empresas que concorrem com a companhia em diferentes linhas de negócios. A Oracle, principal oponente da SAP, anunciou em dezembro que irá instalar um centro de dados no Brasil ainda no primeiro semestre. A Microsoft já possui estruturas desse porte no país. Em entrevista recente ao Brasil Econômico, Frank Van Veenendaal, vice-presidente executivo da americana Salesforce, uma das principais empresas de oferta de software pela nuvem, afirmou que a companhia avalia seguir, em médio prazo, o mesmo direcionamento.

Além de uma resposta a esses movimentos, o plano da SAP tem como motivador o fato de a América Latina já se destacar na adoção de algumas ofertas da companhia na nuvem. No caso da versão da Hana disponível nesse modelo, a região responde por 15% de todos os projetos desenvolvidos globalmente. Frutos de aquisições da SAP nos últimos anos, a SucessFactors, linha de softwares de gestão de recursos humanos, e a Ariba, plataforma que conecta empresas e fornecedores, são outros componentes do portfólio que estão liderando a expansão desse modelo no mercado latino-americano.

Com a perspectiva de um salto significativo na demanda dos clientes por projeto na nuvem, o fortalecimento da estrutura de atendimento é mais um elemento no pacote de iniciativas. “Vamos ampliar em 50% nosso time de vendas na região nesse ano. Esse é o indicador mais claro do quanto estamos otimistas com esse novo direcionamento na América Latina”, afirmou o executivo.

Na avaliação de Cristina Palmaka, presidente da SAP no Brasil, o país está colhendo frutos pelo fato de ter se consolidado em 2013 como a terceira operação mundial da companhia, atrás apenas dos Estados Unidos e da matriz alemã. “Mais que bons números, essa posição está se traduzindo em investimentos. Hoje, temos menos níveis de separação entre a nossa operação e o comando global da companhia, o que agiliza a execução dos nossos planos”, disse a executiva.

Segundo Cristina, o fato de o Brasil passar a contar com uma estrutura local de data center para apoiar suas ofertas na nuvem vai abrir caminho para que a SAP expanda sua presença em mercados como as pequenas e médias empresas. “Para alguns segmentos, como o setor público, não ter um centro de dados no Brasil é um dos fatores que limitaram nossa penetração”, observou.

Apesar do foco crescente na computação em nuvem, a executiva destacou ainda que a SAP não irá apostar todas as suas fichas apenas nesse modelo. “O que estamos vendo no Brasil é a tendência de os clientes investirem muito em um modelo híbrido, com parte de suas operações na nuvem e outra parte no modelo tradicional. Nossa ideia é oferecer todas as alternativas possíveis para os clientes”, acrescentou.

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