'A cidade tem uma relação direta com a obra de arte'

Marcelo Camelo fala sobre o primeiro disco da Banda do Mar, gravado em Lisboa

Por O Dia

Morando em Lisboa, o novo trabalho de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães traz as influências das mudanças de ares do casal. Sete anos após o recesso dos Los Hermanos, o carioca volta a flertar com o ritmo que o alçou à fama, o rock. Gravado no inverno de Lisboa, o álbum, que tem ainda a participação do português, Fred Ferreira, é recheado de letras sentimentais, percussão e melodias que lembram as guitarras da “surf music”. Com turnê brasileira agendada de outubro a dezembro, a Banda do Mar mostra o primeiro disco de mesmo nome. 

Como começou a Banda do Mar?

Acho que o movimento de fazer a Banda foi bem parecido com o movimento, meu e da Mallu, de mudança para Portugal. A gente estava procurando uma cidade com dimensões mais humanas, onde a gente pudesse estar mais junto e ter uma relação mais próxima com o nosso trabalho. O Fred (Ferreira, músico português) influenciou na escolha da cidade, achamos que seria bom ficar por perto. Temos uma amizade muito fora do comum, nos tratamos e consideramos como família. Chegando à Lisboa, assim que a gente acabou de montar o apartamento, começamos antever o que poderíamos fazer profissionalmente. No momento, eu e Mallu, que já tínhamos lançado o último trabalho solo há algum tempo, naturalmente fomos desaguando na Banda.

Como a cidade influenciou nas composições?

Eu acredito que geografia do lugar faz parte de um conjunto de coisas que atua sobre as nossas escolhas. A latitude, a incidência do sol, a umidade do ar, a temperatura, as placas tectônicas, acho que tudo isso nos orienta. Gosto de pensar que a cidade tem uma relação direta com a obra de arte, porque ela sempre está ali permeando, orientando as escolhas de um jeito sutil. Mas, para ser sincero, a nossa mudança para Lisboa é muito recente, passamos metade do tempo na cidade organizando apartamento e a outra metade fazendo o disco. A cidade ainda não pode nos transformar profundamente. Por outro lado, é o lugar que sentimos como uma extensão da nossa casa. Não existe um sentimento de deslocamento profundo.

Foi difícil criar um ambiente de trabalho num clima tão familiar?

A gente sempre teve dúvidas quanto a isso, eu e Mallu temos uma relação de casal muito intensa. Os casais que a gente conhece trabalham fora e se encontram no final da noite. Nós dois estamos o tempo todo juntos, porque trabalhamos muito em casa, mas nunca tínhamos feito uma coisa desse porte. Já o Fred é muito mais do nosso amigo, é uma referência na nossa vida. Acho que mistura deu certo, percebemos que temos uma boa dinâmica de trabalho. Temos como ideia que o êxito do outro é também a nossa satisfação, isso ameniza qualquer mesquinharia e lampejo de individualismo. Foi o que deu vida ao processo inteiro, fez com que nesse ano de produção do disco não tivéssemos nada perto de um atrito. Sempre trabalhamos com a troca, com a amizade, com a sensação de que a felicidade do próximo é também a nossa.

Por que Banda do Mar?

É uma escolha que precisa ser feita, a Banda precisa ter um nome. Com tantas bandas surgindo, é um desafio e tanto encontrar um nome inédito e que todos os membros concorde. No início, a gente tinha a intenção de batizar o quanto antes, para que os esforços posteriores de construção do disco fossem direcionados à uma entidade já nomeada. Porém, tínhamos só uma diretriz básica e o nosso som era um incógnita. Então, trabalhamos durante meses na esperança de que a realidade do som nos ajudasse a desvendar esse nome e aí surgiu: “Banda do Mar”.

O CD atingiu 1.100 downloads em uma semana de vendas. Vocês esperavam esse sucesso repentino?

Eu sou de outra época, comecei minha carreira em 1999. O nosso primeiro CD (Los Hermanos) vendeu 350mil cópias e foi um sucesso, mas não o mais vendido no ano. Tenho acompanhado um declínio desde então das milhões de vendas. Quando lançamos o segundo CD, pegamos o início da pirataria, uma realidade diferente de vendas, para chegar aos dias de hoje em que um disco que vende mil cópias é uma celebração. Acho super curioso, é um número muito pequeno perto dos views que temos no Youtube, por exemplo. Não falo com desdém, mas acredito que o compartilhamento gratuito é muito mais representativo que o número de vendas.

A solidão é tema recorrente das suas letras, mas vocês compuseram juntos. De onde vem esse sentimento?

O processo de composição é ambivalente para burro. Muitas vezes você diz aquilo que você quer ter, muitas vezes se projeta em outra pessoa e venera uma coisa que queria ser e canta aquilo como se fosse verdade, mas no fundo é uma coisa que quer conquistar, ou só um desabafo. Estar com os dois é muito reconfortante. Formamos uma banda de amigos e faríamos outra coisa juntos também se não fosse ela. Isso tem uma perspectiva nova para mim, menos peso, menos compromisso.

O disco será único ou vocês têm outros planejados para a Banda?

Essa pergunta revela como o mundo mudou. Na época dos Los Hermanos, eu sentia que quando você montava uma banda era quase como um contrato perpétuo. Hoje as pessoas encaram com muito mais naturalidade esse circular, não se estranha mais que as bandas sejam um lugar que as pessoas visitem quando acharem legal, ninguém acha estranho essa convivência harmoniosa de diversos projetos. A gente sente como se tudo estivesse interligado. A grande transformação é a vontade de não saber o que virá, não existe a necessidade de um compromisso perpétuo. Os projetos se somam e a Banda é um lugar em que a gente pode visitar quando quiser. 

ONDE CONFERIR: A Banda do Mar tem shows agendados em Porto Alegre, dia 10/10; No Rio, dia 11/10 e São Paulo, dia 31/10.

ArtRio movimenta circuito de artes na capital carioca

A quarta edição da ArtRio vai ocupar os armazéns do Píer Mauá, entre os dias 11 e 14 de setembro, com mais de 100 galerias de 13 países. Enquanto a maior feira de arte do Rio acontece, diversos eventos e ações culturais paralelos à exposição também movimentam a cidade.
Um deles é o ArtRua, que acontece no Centro Cultural Ação da Cidadania, na região portuária do Rio. Nos mesmos dias do ArtRio, o evento apresenta o que há de mais novo e interessante no mercado de arte urbana, com trabalhos inéditos de diversos artistas brasileiros e estrangeiros, além de restaurantes, festas e shows.

No Museu de Arte Moderna, seis exposições estão em cartaz no mesmo período.Entre elas, “Amilcar de Castro”, que apresenta um resumo da obra do artista com curadoria de Paulo Sérgio Duarte.Já no MAR, entre as duas mostras em exibição se destaca “Pororoca”, produzida a partir do acervo de arte amazônica do museu, que contém peças de Alexandre Sequeira.
A Casa Daros, por sua vez, exibe a coletiva “Ilusões”, com obras de Mauricio Alejo, Luis Camnitzer, José Damasceno, Leandro Erlich, Los Carpinteros, Fernando Pareja & Leidy Chavez, Liliana Poter, Teresa Serrano e José Toirac.

ONDE CONFERIR: A programação completa está no site. O ArtRio acontece no Píer Mauá. Av Rodrigues Alves, 10, no centro do Rio.

Mês da Cultura Independente chega à 8ª edição em SP

A partir de amanhã, o Mês da Cultura Independente (MCI) desembarca em São Paulo. Até o fim do mês, a oitava edição do festival apresenta uma programação recheada de shows nacionais e internacionais, mostras de cinema, oficinas, debates e outras manifestações culturais. Entre as principais atrações, destaca-se a apresentação da cantora Céu, no dia domingo do dia 21, às 18h, com o show “Catch a Fire”, no qual interpreta todas as canções do famoso LP de Bob Marley.
Criado originalmente no Centro Cultural da Juventude (CCJ), o festival se espalhou por diversos espaços da cidade, como bibliotecas públicas, teatros, galerias, além de terminais de ônibus e praças públicas. No Parque Ibirapuera, que passou a funcionar durante 24 horas nos finais de semana desde setembro do ano passado, acontecerá a primeira edição do Sarau da Madrugada. Entre 0h e 5h da madrugada de sábado para domingo, o público poderá conferir a apresentação de saraus e batalhas poéticas, por meio da participação de diversos coletivos artísticos. O evento é promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Artistas brasileiros em exposição no Chile

Ao todo, 300 obras de artistas como Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Hélio Oiticica estão expostas no Centro Cultural La Moneda, no Chile. O museu apresenta a grande exposição até dezembro, com objetivo de mostrar um pedaço da arte brasileira aos chilenos.

Peça ‘Duas Vezes um Quarto’ no CCBB Rio

Com direção e texto de Marcelo Pedreira, o espetáculo “Duas Vezes um Quarto (2 X 1/4)” está em cartaz no CCBB Rio. No expetáculo, são apresentados dois textos do autor carioca: “A Dama da Lapa” e “Dilúvio em Tempos de Seca”. De quarta a domingo, às 19h30.

Pixinguinha no Teatro João Caetano, no Rio

Depois do sucesso em São Paulo, o Instituto Moreira Salles apresenta no Rio o show “Outras pautas – Pixinguinha em concerto”, no Teatro João Caetano. A casa receberá única apresentação do show que celebra a faceta de arranjador do autor de “Carinhoso”.

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