Brizola na cabeça: Líder é lembrado pelo carisma e o foco na educação

Depois de 12 anos de sua morte e no momento em que completaria 95 anos, ele é visto como referência de um modelo de liderança política

Por O Dia

Rio - Leonel Brizola nunca foi unanimidade. Mesmo o mais radical dos brizolistas tem algum senão para apontar na trajetória de cinco décadas de protagonismo do gaúcho na vida política brasileira. No entanto, depois de 12 anos de sua morte e no momento em que completaria 95 anos – hoje —, ele é lembrado como referência de um modelo de liderança política que parece ter ficado no passado. Assim, de certa maneira, o ‘engenheiro’ está mais vivo do que nunca.

“A capacidade de mobilizar as pessoas e de dialogar com diferentes segmentos que ele tinha são coisas que não se vê em muitas lideranças. No presente, com exceção do ex-presidente Lula, talvez em nenhuma”, diz Marieta de Moraes Ferreira, historiadora que organizou o livro ‘A força do povo: Brizola e o Rio de Janeiro’.

Brizola na Rua Primeiro de Março%2C no Centro do Rio. Capacidade de mobilização e convicções fortes%3A marcas de um líder político controvertidoArquivo O Dia

“Ele era um homem de convicções fortes e pouco propenso a transigir em questões que considerava fundamentais. Hoje, não há espaço para valores, princípios e convicções. A política dos políticos se apresenta como ação ordinária, para atendimento de grupos de pressão”, acredita Américo Freire, também historiador e coorganizador do livro ‘A razão indignada’.

Além da capacidade de liderança, Brizola marcou a vida política brasileira por ter posto a educação no centro das preocupações do Estado, especialmente à frente do seu primeiro governo no Rio de Janeiro (1983-1987). “O país estava reconstruindo um modelo democrático. Brizola vem com uma proposta de educação integral e de inclusão social, de reconhecimento dos direitos das pessoas mais pobres”, diz a educadora Libânia Xavier (UFRJ).

“Hoje, ninguém mais tem coragem de dizer que é contra uma escola inclusiva. Todo mundo retoma isso na hora da campanha. Mas botar em prática exigiu grande vontade política”, lembra a professora.

Leonel Brizola Neto, que é vereador no Rio (Psol), considera os ideais do avô mais vivos do que nunca. “Enquanto houver trabalhador existirá trabalhismo para aqueles dispostos a superar a exploração do trabalho”, diz.

Na foto%2C Waldomiro%2C barbeiro da Câmara Municipal do RioSandro Vox / Agência O Dia

O retrato do ‘velho’ no mesmo lugar

O aniversariante é lembrado com carinho pelos que conviveram com ele. O advogado Trajano Ribeiro, de 72 anos, assessorou Brizola entre 1968 e 2004, quando o líder morreu. “Era um otimista, sempre de bem com a vida e com fixação por resolver os problemas do Brasil, libertar o país”.

A Brizolândia, ponto da Cinelândia onde se reuniam defensores mais ferrenhos do líder trabalhista, marcou época nos anos 1980. Waldomiro Salles, que trabalha há 34 anos na barbearia da Câmara Municipal, na mesma Cinelândia, batia ponto por lá. Hoje com 82 anos, ele faz barba, cabelo e bigode sob o ‘olhar’ de Brizola. O quadro com o ídolo na parede foi presente do neto do ex-governador e vereador Leonel Brizola (Psol).

Os nove filhos de Waldomiro estudaram em Cieps. “Antes, só tinha vaga longe; eu não tinha dinheiro para o transporte”, conta o morador de Acari. “Ele está vivo. Para mim, não morreu.” Brizola Neto, que foi trabalhar com o avô aos 17 anos, concorda: “Tudo o que ele dizia está cada vez mais atual. Quanta falta ele faz”.

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