Ricardo Cota: Cinema brasileiro é o melhor do Festival do Rio

O cinema brasileiro, sem exagero, vive uma das melhores fases de sua história

Por O Dia

‘Cordilheiras do Mar%3A A Fúria do Fogo Bárbaro’ de Geneton Moraes NetoDivulgação

Rio - O Festival do Rio entra em sua segunda e última semana confirmando a força do cinema contemporâneo brasileiro. A Première Brasil, mostra competitiva de documentários e filmes de ficção nacionais, afirma-se definitivamente como o mais importante espaço de promoção e debate do nosso cinema, superando até mesmo os tradicionais festivais de Brasília e Gramado.

A diversidade dos filmes em exibição mostra que, pelo menos nas telas, o Brasil vai muito bem obrigado. A começar pelos documentários, cujos temas apontam para os mais diversos assuntos. Há desde emocionantes releituras de vida, como ‘Cordilheiras do Mar: A Fúria do Fogo Bárbaro’, de Geneton Moraes Neto, sobre Glauber Rocha, e ‘Betinho — A Esperança Equilibrista’, de Victor Lopes, até reflexões elaboradas sobre o tempo, como em ‘Quanto Tempo o Tempo Tem’, de Adriana Dutra, e sobre o dia a dia da classe operária, como em ‘Futuro Junho’, de Maria Augusta Ramos.

Na categoria ficção, a mais concorrida da história do Festival do Rio, os filmes exibidos até agora devem estar dando muito trabalho ao júri. ‘Beatriz’, de Alberto Graça, traz uma interpretação arrebatadora de Marjorie Estiano, na pele de uma mulher envolvida em complexo romance com um escritor passado numa Lisboa filmada com olhar extremamente afetivo; ‘Órfãos do Eldorado’, primeiro longa de ficção de Guilherme Coelho, já consagrado no documentário, é uma adaptação madura da obra de Milton Hatoum, com atuação expressiva de Dira Paes.

Destacam-se também o emocionante retrato ‘Nise — O Coração da Loucura’, de Roberto Berliner, que traz às telas o trabalho revolucionário da doutora Nise da Silveira com pacientes psiquiátricos, e ‘Califórnia’, a viagem memorialista de Marina Person aos anos 80 pelos olhos de uma adolescente.

E o melhor é que a segunda semana promete ainda mais, com títulos assinados por Sandra Kogut, Ruy Guerra e Luiz Carlos Lacerda. Conclusão: o cinema brasileiro, sem exagero, vive uma das melhores fases de sua história. E o Festival do Rio tem a honra de participar isso ao público.