Por karilayn.areias
Jads %26 Jadson%3A voz grave em ‘Bruto e Capiau’ e ‘Explícita’ Divulgação

Rio - Jads e Jadson parecem nomes artísticos, mas não são. Jads Paulo Alves dos Santos, 42 anos, e Jadson Alves dos Santos, 38, ganharam nomes de integrantes de dupla sertaneja assim que nasceram. O “jad” que une os dois é uma brincadeira com as iniciais do pai, o violeiro José Alves dos Santos. “Ele quis ser artista e não teve condições, daí transmitiu isso para a gente. Éramos uma dupla quando pequenos, ele decidia nossa roupa, nosso corte de cabelo. Hoje, ele fica feliz com nosso sucesso, é um sonho realizado, né?”, alegra Jads, que lança com o irmão o oitavo CD, ‘Diamante Bruto’.

O sucesso demorou a acontecer para a dupla paranaense. Os dois cantaram quando crianças, mas depois passaram a se dedicar a outras profissões. O primeiro disco, ‘Acústico’, saiu em 2003. “Quando passamos a gravar, eu já estava com quase 30 anos”, relembra Jads. “A cada ano melhorava um pouco. O sucesso veio em 2012, com ‘Jeito Carinhoso’. E a gente sempre foi perseverante. Nunca nos preocupamos com modismos”.

O estilo da dupla, demonstrado em faixas novas como ‘Bruto e Capiau’, ‘Calma Pra Quê?’, ‘Explícita’ e ‘Zé Trovão’, inclui vocais graves e uma temática ligada ao universo do morador do interior. “Somos uma das poucas duplas que preserva essa história do capiau, do cara brutão. Durante muito tempo, só tinha a gente fazendo sertanejo com voz grave. Hoje tem vários. Isso veio das nossas raízes, de duplas como Tião Carreiro & Pardinho, que criaram a segunda voz”.

Jads & Jadson gravaram no novo disco ‘Lágrimas e Chuva’, do Kid Abelha — antes, a dupla gravara ‘Na Sua Estante’, hit de Pitty, num DVD em 2013. “Tenho quase certeza de que o Kid Abelha não ouviu a versão. O pessoal do sertanejo sempre dá abertura, mas a turma do rock é mais fechada, tem preconceito”, diz Jads. “Até por esse fechamento deles, não aparecem tanto, daí têm que fazer eventos para aparecer, como o Rock In Rio. O Lulu Santos fazia uns comentários ruins sobre sertanejo, mas hoje ele abriu a cabeça. Sou fã dele. Tem surgido muito pouca coisa legal no rock, e a gente acaba ouvindo as coisas lá de trás, né? Pra mim existe música boa e ruim, e só. Mesmo no sertanejo tem muita música ruim. Tem muita coisa sendo tachada de sertanejo que não é sertanejo. Falta estudo pra esse pessoal”, conta, sem dar nomes aos bois. “Aí não é muito ético falar, né?”. 


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