Mestres de bateria defendem fantasias menores e mais leves na Sapucaí

Peso e tamanho das roupas podem atrapalhar o desempenho dos ritmistas

Por O Dia

Rio - Oito meses de ensaio e 82 minutos de desfile. Para que os ritmistas consigam um bom rendimento, é fundamental que o figurino da bateria esteja de acordo com os "padrões". O peso e tamanho da roupa para os cerca de 300 músicos de uma agremiação podem acabar prejudicando o ritmo e até mesmo de saúde dos integrantes. A cada ano que passa, mestres e carnavalescos "travam" um delo em busca da fantasia perfeita. 

Fantasia da bateria da Vila em 2013 foi considerada pesadaDiego Mendes / Divulgação

No último Carnaval, nem mesmo a campeã ficou longe da fantasia pesada para a bateria. O título foi consagrado, a festa foi total, mas na Sapucaí os 275 ritmistas da Vila tiveram um verdadeiro desafio. A fantasia acabou provocando um grande desgaste. Além do calor provocado, a proximidade dos chapéus de cada ritmista acabou afetando até mesmo a sonoridade.

Ciente da situação, Cid Carvalho, carnavalesco que substitui Rosa Magalhães, promete uma roupa mais "tranquila" para os ritmistas em 2014. Segundo ele, é preciso considerar toda a situação diferenciada da bateria, mesmo sem deixar de lado a questão artística do espetáculo.

"Olha, nós, carnavalescos, precisamos contar o enredo, ver este ponto pelo lado artístico. No entanto, não posso desconsiderar o caso da bateria. Um ritmista não pode ter um ombro muito largo nem alto, pois é preciso ter uma boa visualização do mestre e dos diretores. Uma fantasia muito pesada pode acabar atrapalhando o desempenho rítmico deles também. Então, eu procuro fazer mais figurinos do que literalmente fantasias para a bateria. Independentemente de qualquer coisa, eu vou manter este estilo em 2014. A roupa dos ritmistas será suficiente para contar o enredo, para traduzir o setor que a bateria vai estar incluída, mas naturalmente será um figurino leve, tranquilo. Estou com os protótipos prontos, apresentados. Sei que estou de bem com o mestre e os diretores da Swingueira", afirmou Cid.

Mestre do Salgueiro explica dilema

A questão das grandes fantasias é um eterno dilema para os mestres de bateria. A expectativa de todos é sempre por um figurino mais simples para seus ritmistas. De acordo com mestre Marcão, do Salgueiro, questões técnicas possuem um peso para o desempenho de uma bateria e, por isso, passa a ser importante que as fantasias sejam as mais compactas possíveis.

Fantasia da Furiosa em 2011 é xodó de mestre MarcãoDébora Malaquias / Divulgação

"É importante termos uma fantasia pequena e leve. Precisamos ter um bom campo de visibilidade para conseguirmos estar sempre atentos ao entorno da bateria. Em caso de fantasias muito grandes, a sonorização de cada instrumento poderá não render bem. Os ritmistas já têm a preocupação de ter que estar ali tocando, concentrado, e com uma roupa pesada, que pode estar machucando também, a situação acaba ficando complicada. A bateria já leva para a Avenida diversos instrumentos, alguns com cinco a seis quilos, então é preciso uma boa condição de desempenhar nossa função", comentou.

Tranquilo quanto ao trabalho que vem realizando no Salgueiro, Marcão é só alegria com os últimos figurinos da Furiosa. Após a marcante fantasia de 2011, quando os ritmistas e diretores desfilaram vestidos de oficiais do Bope, o estilo de fantasias leves continua aparecendo e o trabalho em equipe com o carnavalesco Renato Lage também é exaltado.

"Aqui no Salgueiro trabalhamos com a questão da leveza e simplicidade nas fantasias da nossa bateria. Graças a Deus as coisas vêm dando certo. Conversando e mostrando o que é bom e ruim para o lado da bateria e também o carnavalesco para o seu, conseguimos fazer tudo se encaixar da melhor maneira. Existem algumas coisas que podem ficar bonitas no visual, mas complicar a questão prática. Então achamos o meio-termo e é assim que vamos conseguindo ter êxito nesse ponto. Desde 2008 conseguimos trabalhar assim, achando um senso comum para essa questão de fantasia e bateria. Espero que as coisas continuem fluindo da melhor maneira", concluiu.