Melhor custo-benefício da eleição é do Psol

Partido gasta R$ 547 mil, recebe 801 mil votos e elege oito deputados no estado. Média é de R$ 0,68 por eleitor

Por O Dia

Rio - Com o resultado alcançado nessas eleições, os deputados do Psol podem se vangloriar de ter feito uma verdadeira obra de engenharia financeira. Os oito parlamentares eleitos arrecadaram pouco, receberam dinheiro apenas de pessoas físicas e, mesmo assim, alcançaram votações expressivas.

Levantamento feito pelo DIA mostrou que, juntos, eles arrecadaram R$ 547 mil e obtiveram 801 mil votos, provando que o dinheiro foi muito bem empregado. Para cada um desses votos, a legenda investiu, em média, menos de um real: R$ 0,68 foram suficientes.

Para se ter uma comparação, o PMDB, que elegeu oito deputados federais e 15 estaduais, consolidando-se como a maior legenda do estado, investiu quase R$ 10 por cada voto. Para obter 1,9 milhão de votos, mais que o dobro do Psol, parlamentares precisaram receber cerca de 32 vezes mais dinheiro. No total, os 23 parlamentares eleitos receberam doações que somam R$ 17,5 milhões.

Chico Alencar recebeu R%24 144 mil em doações e foi reeleito com 195 mil votos%3B Eduardo Cunha%2C também reeleito%2C gastou R%24 3%2C2 milhões Reprodução

O PT, que fez 11 deputados, gastou R$ 5 por cada voto deles. No total, o partido teve cerca de 300 mil votos a menos que o Psol, mas a arrecadação com as transferências feitas pelas doações foi bem maior: R$ 2,5 milhões. O montante é cerca de quatro vezes mais que o Psol. Os dados foram obtidos com base na prestação de contas parcial que cada candidato precisa fazer. Os números estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O deputado estadual campeão de votos, Marcelo Freixo (Psol), diz que o seu caso é o do “voto em promoção”. Sua campanha arrecadou pouco mais de R$ 90 mil reais, tendo mais de 350 mil votos como resultado: média de R$ 0,26 por voto. Jair Bolsonaro (PP), líder entre os federais, gastou um pouco mais. Ele investiu cerca de R$ 200 mil e teve mais de 464 mil votos, com média de R$ 0,43 por cada um.

“Arrecadamos muito pouco, e, mesmo assim, fui um dos mais votados em áreas de milícia e em bairros onde não há uma placa minha sequer, porque há dificuldade de entrar nessas regiões. É possível fazer uma boa política gastando pouco dinheiro”, afirmou Freixo. No caso dos parlamentares do PMDB, o valor arrecadado foi bem maior e não se converteu em votações tão expressivas. Entre os federais, Eduardo Cunha teve mais de 230 mil votos, resultado de campanha em que gastou cerca de R$ 3,6 milhões, ou R$ 15 por voto. Já Chico Alencar, que foi o deputado federal do Psol mais bem colocado no estado, fez 195 mil votos depois de receber apenas R$ 144 mil reais em doações.

Candidatos dividiram as doações

Por filosofia, o Psol não aceita que empresas financiem as campanhas de seus candidatos. Isso os leva a procurar outras formas de obtenção de recursos: para o deputado federal Jean Wyllys, por exemplo, a saída foram as doações via internet. Segundo a campanha do deputado, 228 pessoas contribuíram.

Amigos de longa data, Eliomar Coelho e Chico Alencar buscaram recursos juntos. “Organizamos um jantar com apoiadores e contamos com doações de quem sempre esteve conosco. Há casos em que tivemos de dividir cheques”, diz Eliomar. “Nosso voto não é o do ‘toma lá dá cá’, e nossa bancada desmente a ideia de que só se elege quem faz campanha milionária”, afirma Chico.

Para o cientista político João Feres Júnior, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj, o comportamento eleitoral do Psol hoje é análogo ao que fora o PT anteriormente, aquilo que ele chamou de “voto de opinião”. Segundo ele, uma disputa eleitoral mais justa exige um limite nas doações das empresas. “Existem partidos que só funcionam com dinheiro, e a corrida fica desigual”.

Reportagem de Leandro Resende

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