Acusado por Paulo Roberto Costa vai à Justiça

Renato Duque nega participação em esquema de propina e aciona delator por calúnia e difamação

Por O Dia

Brasília - O ex-diretor de serviços da Petrobras R</DC>enato de Souza Duque, 59 anos, protocolou na sexta-feira no Juizado Especial Criminal da Barra ação penal por crime de calúnia e difamação contra seu ex-colega Paulo Roberto Costa, que foi diretor de abastecimento da estatal. À Justiça Federal, Costa acusou Duque de envolvimento em suposto esquema de desvio de dinheiro para o PT, em contratos da petroleira.

No depoimento, ele afirmou que a história “era conversada dentro da companhia” e, segundo as conversas, o ex-colega entregava “3%, 2% dos valores contratados” a João Vaccari Neto, tesoureiro do partido.
Ainda segundo o delator, Duque havia sido indicado, com esta missão, ao cargo, na cota de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, no governo de Lula.

O advogado Alexandre Lopes de Oliveira justificou a ação dizendo que Costa sabe que Renato Duque é inocente. “Ele mentiu para alcançar a premiação proposta pela Justiça e pelo Ministério Público”, afirmou.

Ao DIA, Oliveira alegou que Duque não é acusado “de nada” e negou influência de José Dirceu em sua nomeação. “Eles só se conheceram após ter sido indicado pelo Conselho de Administração da Petrobras e assumido o cargo. Não eram amigos. Sequer se conheciam.”

Ainda segundo o advogado, Duque nunca foi filiado a partido político e “menos ainda militou”. Oliveira afirmou também que seu cliente passou por “diversas gerências antes de 2002”, nos governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Segundo o advogado, ele entrou na empresa por concurso em 1978 e chegou à Diretoria de Serviços indicado pelo Conselho Administração. Duque deixou a empresa de 2002, ao se aposentar.

Na ação, estratégica para adiantar sua defesa à opinião pública, Duque afirma que “jamais extorquiu empresários”, ao contrário de Paulo Roberto Costa, que, conforme diz, “atribui aos outros todos os desvios de caráter que carrega em si mesmo, como o próprio asseverou em depoimento para a delação premiada”.

No acordo que Costa fez com a Justiça e o Ministério Público e que inclui suas filhas e mulher, ele abriu mão de valores em contas no exterior calculados em 25,8 milhões de dólares. Além do dinheiro nos paraísos fiscais, Paulo Roberto Costa assumiu pagar, como indenização, valor de R$ 5 milhões. Seus bens estão bloqueado.

O advogado Alexandre Oliveira criticou os vazamentos à imprensa dos depoimentos de Costa. Segundo ele, isso ocorre por ser período eleitoral. “Acredito que seja por motivos eleitorais e perdeu-se a prudência. Paulo Roberto é o delinquente confesso. Com isso, envolve o PT na roubalheira que ele, confessadamente, promovia na Petrobras”.

PT entra na Justiça contra ex-diretor da Petrobras

O PT entrou ontem com ação por difamação contra o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa que, à Justiça Federal do Paraná, afirmou que que parte da propina paga por fornecedores da estatal era repassada ao PT, ao PMDB e ao PP para ser usada na campanha eleitoral de 2010.

Segundo o presidente nacional do PT, Rui Falcão</CW>, Paulo Roberto Costa fez acusações infundadas. Dois dias depois de a presidenta Dilma Rousseff defender o acesso às gravações da delação premiada de Paulo Roberto, Falcão se reuniu com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e com o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir o caso.

O presidente do PT garantiu ainda que não serão tomadas medidas contra o juiz federal Sérgio Moro, que conduz o processo. Petistas acusam o juiz de vazar seletivamente trechos das gravações a fim de prejudicar o partido.

Falcão minimizou os impactos do caso Petrobras na campanha pela reeleição da presidenta Dilma Rousseff. E ironizou o apoio de Marina Silva (PSB) a Aécio Neves (PSDB) neste segundo turno. “Ela (Marina) é que vai ter que explicar ao seu eleitor. Poucos esperavam que ela fosse nessa direção”, afirmou o dirigente petista.

Ontem, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse que a divulgação de trechos do depoimento de Paulo Roberto Costa “não é útil” para as eleições presidenciais. Para Temer, a Justiça Federal não deve permitir o vazamento de depoimento obtido com as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

“Não é útil para as eleições. O que a gente percebe é que tem sido muito explorado eleitoralmente. Eu acho que a Justiça não pode se prestar a isso e não se presta a esta atividade”, argumentou o vice.

Empreiteiras vão ter que se explicar

A Justiça Federal do Paraná e a Polícia Federal querem que empreiteiras justifiquem, em cinco dias e com documentos, os supostos pagamentos milionários a empresas do doleiro Alberto Youssef. A decisão judicial afirma haver “fortes indícios” de que houve lavagem de dinheiro a partir de notas fiscais fraudadas.

De acordo com o juiz Sérgio Moro, o maior repasse foi da empresa Piemonte Empreendimentos, no valor de R$ 8,5 milhões, seguido do Consórcio Mendes Júnior e da Mendes Júnior Trading e Engenharia, que repassaram cerca de R$ 5,5 milhões. O consórcio comandado pela Engevix passou mais de R$ 3,2 milhões às empresas de Youssef; a Galvão Engenharia, R$ 1,5 milhão; e a construtora OAS e a OAS Engenharia, juntas, mais de R$ 1 milhão.

A Polícia Federal já abriu inquéritos para apurar a origem, a natureza e a finalidade dessas transferências bancárias e afirma contar “com a colaboração das empreiteiras”.

Ontem, também o PT e a Odebrecht pediram ao Supremo Tribunal Federal acesso ao conteúdo da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

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