Um novo futebol para multidões

Maracanã tem contribuído para o retorno dos grandes públicos

Por O Dia

Rio - Mais de 60 mil pessoas fizeram uma grande festa domingo passado, no Arruda, para saudar a vitória do Santa Cruz e o retorno à Série B. Esta semana,o novo Maracanã revive dias de glória — nesta quarta, com o jogo decisivo do Flamengo, e, domingo, com a grande torcida vascaína, que já fizera um bom ensaio contra o Goiás e certamente apoiará em massa o time contra o Santos na luta para não cair.

O que têm esses jogos em comum? Todos são decisivos, de uma forma ou de outra, e, em certa parte, beneficiados pela redução no preço dos ingressos. É mais um alerta para que essa turma do Bom Senso FC cogite reformulação não apenas no calendário, mas no formato das competições — o Brasileiro, para ser todo de pontos corridos, teria que diminuir o número de clubes ou então, para ficar com 20 participantes, fazer um mix de pontos corridos e mata-mata, valorizando, ao mesmo tempo, a regularidade e a emoção nas fases decisivas, o que encheria muitas vezes os nossos estádios. Não se trata de volta ao passado, mas de forma inteligente de conciliar a parte técnica com a financeira.

Retorno do Maracanã aumentou o público dos jogos da temporadaMárcio Mercante / Agência O Dia

A VEZ DOS CARTOLAS

Paara que esse movimento do Bom Senso não caia no vazio, como prevê Pelé, seria importante o apoio dos dirigentes de grandes clubes, especialmente dos mais novos, sem vícios antigos. É o caso de Bandeira de Mello , do Fla, que teria ainda a seu favor a força de um clube de massa. É hora de lutar por mudança de calendário que reduza Estaduais, impeça o atropelo de Copa do Brasil e Brasileiro, respeite datas-Fifa e limite o número de jogos por mês. Todos sairão ganhando.

MAIS DO MESMO

De uns tempos para cá, por falta de boas lideranças e certo desespero pelo poder, grupos de oposição dos clubes têm se reunido em torno de ex-atletas para ganhar eleições, caso de Bebeto no Botafogo, Roberto no Vasco, Patricia Amorim no Fla e, agora, Deley no Flu. As experiências têm sido mal-sucedidas porque há um loteamento de cargos, inexperiência administrativa e cooptação das piores práticas. Poderá Deley ser uma exceção? Esse é um risco que o Flu pode correr.

PERDA DE TEMPO

O presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, perderá tempo e dinheiro se partir para uma grande pesquisa sobre as causas da fuga do torcedor alvinegro dos estádios. No fundo, ele sabe que são as frustrações em série, ano a ano, exatamente nas fases decisivas, que martirizam o torcedor. Os jogadores atuais não têm culpa do passado, mas o repetem de forma bisonha e melancólica. O torcedor é o mesmo e isso qualquer criança de 10 anos entende muito bem.

O MEIA COMPLETO

O futebol brasileiro perdeu há poucos dias Liminha, que, na sua época, anos 70, mesmo sem ser jogador de Seleção, era titular absoluto do Flamengo conhecido como ‘carregador de piano’. Isso era meio injusto porque, na verdade, ele executava bem várias funções — marcava muito, como não se exigia tanto à época, tinha velocidade e fazia lançamentos. Só não chutava bem a gol, mas hoje em dia teria mais prestígio e seria considerado versátil, jamais mero ladrão de bolas.

CURTINHAS

Uma das coisas boas que sobram no Vasco deste ano,além de algumas atuações de Juninho, é o garoto Marlone. Desde o primeiro jogo, destacou-se pela categoria e visão em campo e sempre manteve a qualidade. Pena que dificilmente continuará na Colina em 2014.

A Série B foi meio sem graça com jogos de nível duvidoso e um único grande, o Palmeiras, que tem até um zagueiro de Seleção, Henrique. Mas disparando desde o começo até os seus jogos ficaram chatos. Ao contrário da Série C, que teve emoção e grandes públicos no Nordeste.

Papai Joel saiu do descanso meio forçado para nova temporada na tumultuada África, desta vez em Angola. A essa altura, não terá muito a perder, pois já saíra da primeira linha. Pode até inventar um novo dialeto para faturar na publicidade. Quem sabe um português bem exótico?

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