Tudo azul no centenário

Festejando 100 anos, Olaria quer contar com Joel Santana para voltar à elite do Carioca

Por O Dia

Rio - Por dentro das famosas paredes azuis e brancas da Rua Bariri pulsa o coração de um bairro. Mais do que uma fonte de torcer — e sofrer —, o Olaria mexe com toda uma região do Rio. Um dos mais tradicionais clubes do futebol carioca completou 100 anos no último dia 1º e aposta em um nome para ano que vem levar o time de volta à elite carioca: Joel Santana, nascido e criado no bairro.

“Ele tem uma grande chance de acertar. É meu amigo particular. Conversei com Joel no início do ano e estava inclinado a vir, mas tinha uma proposta do mundo árabe e não veio. No ano que vem vou convencê-lo. Ele é Olaria e fala para todo mundo que é torcedor”, disse o presidente Augusto Pinto Monteiro, o Pintinho, comentando a cobrança sobre Joel, que teria prometido dirigir o Olaria antes de se aposentar.

Augusto Monteiro Pinto é o presidente do OlariaErnesto Carriço

Celeiro de grandes jogadores, como Romário, Gonçalves e Ailton, o Olaria ainda contou com nomes inesquecíveis, entre eles Garrincha, Afonsinho e Jair Pereira. No comando, o Olaria lançou nomes marcantes, como Antônio Lopes e Vanderlei Luxemburgo, no início da década de 80. Ambos foram levados pelo ‘Rei da pilantragem’ Carlos Imperial, astro da música e do cinema e descobridor do cantor Roberto Carlos.

Garrincha%2C com a camisa do Olaria%2C ao lado de ZagalloArquivo

“O Imperial era uma figura. Ele era vice de futebol e eu, diretor. Dizia que se inspirava num time argentino. O Imperial botava um latão de lixo no meio da área e pedia para os laterais acertarem (risos). Trouxemos o Lopes como treinador e o Vanderlei como auxiliar”, contou Pintinho, em seu 15º ano como presidente.

Entre os craques que passaram pela Rua Bariri, está Romário de Souza Faria. Antes de partir para o Vasco, o Baixinho atuou pelas categorias de base do clube. O ex-artilheiro é esperado no amistoso do centenário, no próximo dia 11, quando craques do Olaria enfrentarão ex-jogadores da seleção brasileira. Romário deve atuar um tempo em cada time.

Romário teve passagem pela base do OlariaArquivo

“O Olaria Atlético Clube completa 100 anos! Foi o time que me abriu as portas, o primeiro clube oficial a me dar uma oportunidade no futebol. Eu tinha 13 anos e só havia jogado no Estrelinha (criado por meu pai). Lá despontei como artilheiro e conquistei o meu primeiro título estadual no infantil. Só posso dizer que é um grande orgulho fazer parte deste centenário. O Olaria integra a minha história e faço parte da história do clube”, postou o agora senador em sua rede social.

Pintinho lembra em detalhes a passagem do filho do seu Edevair pelo time azul e branco.
“O Romário tem um carinho danado com o clube. Já me confirmou que vem jogar. Eu sou o xodó dele. Quando ele chegou ao clube, eu que comprava as chuteiras para ele. Temos história”, contou.

Joel é o alvo da diretoria do OlariaDivulgação

TAÇA DE BRONZE

O Olaria, que chegou a se chamar Japonês Football Club, conquistou o maior título de sua história em 1981. Comandada pelo técnico Duque, a equipe levantou a Taça de Bronze, equivalente hoje ao título da Série C do Campeonato Brasileiro.

O time passou por Colatina, Paranavaí, São Borja, Dom Bosco e, na final, Santo Amaro. No primeiro jogo, uma vitória acachapante por 4 a 0. Na partida de volta, em Pernambuco, o Santo Amaro venceu, mas o troféu reluz até hoje na Rua Bariri, palco de muita história.

Colaborou Jéssica Rocha

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