‘Vítima’ de Wendell Lira, Márcio quer que a Fifa valorize mais os goleiros

Arqueiro do Atlético-GO quer a criação do Prêmio Yashin

Por O Dia

Rio - Ele poderia estar amargurado, frustrado, ressentido. Mas se sente muito feliz e empolgado. Personagem importante no lance que consagrou Wendell Lira como vencedor do Prêmio Puskas, Márcio, do Atlético-GO, garante não ter ficado aborrecido por entrar para a história como o goleiro que sofreu o gol mais bonito da temporada passada. E sugere à Fifa que tome coragem e crie o Prêmio Yashin, para a melhor defesa do ano.

“O futebol existe para que os gols aconteçam, mas os goleiros poderiam ser mais valorizados. Seria fantástico eleger a grande defesa do ano. Eu faria de tudo para brigar por este prêmio, que deveria homenagear Yashin, o lendário goleiro da ex-União Soviética”, propõe.

Márcio ignorou provocaçõesDivulgação

Sincero, Márcio revela ter se cadastrado no site da Fifa e votado na obra de arte de Wendell Lira, que teve como concorrentes Messi, do Barcelona, e Florenzi, da Roma — a escolha do vencedor foi feita através de voto popular.

“O prêmio é muito justo. Além de mais bonito, o gol do Wendell foi o mais difícil, o mais plástico em relação aos concorrentes”, avalia Márcio, 34 anos, que também costuma balançar a rede em cobranças de faltas e de pênaltis.

ALHEIO ÀS PROVOCAÇÕES

Alvo de brincadeiras por parte de alguns torcedores e companheiros de clube pelo fato de ter sido a ‘vítima’ de Wendell Lira na vitória (2 a 1) do Goianésia sobre o Atlético-GO, em 11 de março de 2015, pelo Campeonato Goiano, Márcio joga para escanteio as provocações.

“Sinceramente? Fiquei feliz por ter acontecido isso com o Wendell, independentemente de eu ter tomado o gol. Só ficaria chateado se tivesse levado um frango. Me sinto lisonjeado de ter participado de momento tão importante na carreira dele, que merece este sucesso”, frisa.

Sobre a jogada que pôs Wendell Lira na história do futebol mundial (ver quadro), Márcio destaca a frieza do atacante do Goianésia — hoje no Vila Nova (GO). Eram 27 minutos do primeiro tempo, em um Serra Dourada que recebia público de apenas 342 pagantes. Após passe preciso de Da Matta, por cobertura, o camisa 11 ajeitou o corpo, se virou em direção à bola e, com uma meia-bicicleta, abriu o placar — Julian faria 2 a 0 e Rafinha diminuiria para o Atlético-GO.

“Saí do gol para tentar diminuir o espaço, mas, astuto, ele teve um raciocínio muito rápido e execução precisa demais. Após receber o passe, pensei que o Wendell se viraria para chutar, mas ele emendou um voleio, uma bicicleta, sei lá, e me pegou de surpresa. Vou tomar mais cuidado quando jogar contra ele novamente ”, brinca o camisa 1 do rubro-negro goiano.

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