Técnico pede desculpas após declaração machista para repórter gaúcha

Treinador disse que jornalista da RBS 'era mulher e talvez não tenha jogado futebol'

Por O Dia

Rio Grande do Sul - O treinador do Internacional, Guto Ferreira, não deu bom exemplo nesta terça-feira. Após a polêmica vitória do Colorado sobre o Luverdense, com um gol que gerou muita reclamação do time rival, o comandante deu uma resposta polêmica para a repórter Kelly Costa da rede RBS, que perguntava sobre o duelo. Após as reclamações da jornalista e da repercussão negativa, Guto resolveu se desculpar.

Guto Ferreira após partida contra o LuverdenseReprodução Facebook

“Tomo a liberdade de pedir desculpas à Kelly Costa, repórter, pela declaração. Eu fui muito infeliz no raciocínio da resposta, acabei me atrapalhando e não quero mudar a opinião de ninguém, respeito a opinião de todo mundo, até porque sei que errei. Qualquer tipo de explicação pode ser interpretada de qualquer outra maneira. O mais importante é você saber que errou para que a gente possa, futuramente, mudar ou não passar por situações como essa. Não é do meu feitio, dentro de casa com esposa, filhos, não é meu feitio de carreira buscar qualquer situação de polêmica. Acho que fui mal e, por isso, estou aqui pedindo desculpas”, afirmou o treinador.

Depois da partida contra o Luverdense, Guto foi questionado sobre as chances perdidas da sua equipe contra o Internacional e respondeu a repórter desta forma. "Não vou te responder com uma pergunta porque você é mulher e talvez não tenha jogado (futebol). Mas todo jogador que joga tem dificuldades de ter uma tensão a mais no lance final... ", disse.

No dia seguinte, a repórter utilizou as redes sociais para desabafar sobre o ocorrido.  “Mas que bom que esse acontecimento nos fez recolocar em pauta uma discussão que já existe há muitos anos e não pode morrer. O machismo está na sociedade inteira. Não só no futebol. Está em todos os lugares e em todas as profissões. Todas as mulheres que eu conheço algum dia foram alvo de comentários machistas. Alguém aí não? Então, o que eu desejo hoje é que tenhamos força e resistência para desconstruir isso tudo: o machismo, o racismo, o sexismo, a homofobia... O preconceito precisa ser desconstruído”, escreveu ela.

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