Vice de finanças do Flamengo afirma: ‘Longe de uma situação tranquila’

Rodrigo Tostes reconheceu melhorias no clube, mas ainda vê momento complicado

Por O Dia

Rio - O paciente saiu da UTI, mas ainda inspira cuidados. O estado de saúde do Flamengo é estável. A previsão de alta, porém, não é para 2015. O vice de finanças do clube, Rodrigo Tostes, calcula que, ao final da atual gestão, em dezembro, terão sido pagos R$ 300 milhões dos R$ 750 milhões de dívida encontrados pela diretoria em 2013. Já contando os juros sobre o valor que ainda não foi pago, o montante total estará em cerca de R$ 500 milhões ao término deste mandato. Os próximos anos, Tostes prevê, serão de estabilização financeira e maiores investimentos. Ainda assim, sem loucuras.

O DIA: Hoje, qual é a situação financeira do clube?

RODRIGO TOSTES: Encontramos um paciente na UTI. O clube tinha um furo de caixa de R$ 121 milhões em 2013 e uma dívida total de R$ 750 milhões. Hoje, o pior já passou, o paciente já não corre risco de vida, mas ainda não pode deixar o hospital. Nosso endividamento reduziu e nossa receita aumentou significativamente. No entanto, estamos longe de ter uma situação tranquila.

O DIA: O Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, disse que se o Flamengo se arrumar, não vai ter quem faça frente. Isso está perto de acontecer?

Rodrigo Tostes falou sobre situação do FlamengoDivulgação

RODRIGO TOSTES: Não acredito nisso. Só vamos voltar a ter um futebol forte no Brasil se tivermos clubes fortes e com saúde financeira. A lógica que um time de futebol forte necessariamente faz um clube forte não é verdadeira. Na realidade, vemos o contrário: a instituição forte e com credibilidade tornará o futebol mais forte a cada ano. Quando isso for totalmente consolidado, em pouco tempo o Flamengo voltará a disputar títulos nacionais e internacionais com consistência. Infelizmente, não acontece da noite para o dia.

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O DIA: Essa imagem de que o clube está indo bem atrapalha no mercado?

RODRIGO TOSTES: Os salários no futebol brasileiro estão totalmente distorcidos Com a realidade do país. Quando chegamos, quatro profissionais do elenco ganhavam mais de R$ 500 mil por mês. Mesmo assim, o time não jogava bem. Como pode uma instituição que deve R$ 750 milhões pagar isso? Se fosse o Zico, pagaria feliz (risos). O trabalho que está sendo feito pode até gerar esta expectativa no mercado, mas no novo Flamengo não existe espaço para loucuras.

O DIA: Como estará a dívida ao fim deste mandato?

RODRIGO TOSTES: Nestes três anos vamos pagar aproximadamente R$ 300 milhões. Agora, não é uma conta simples de 750 menos 300, porque existem os juros correndo sobre o valor não pago. A dívida total no final de 2015 será de aproximadamente R$ 500 milhões.

O DIA: Quanto está comprometido para que o clube honre seus acordos e mantenha as CNDs em 2015?

RODRIGO TOSTES: As CNDs propiciaram o resgate da nossa credibilidade e com elas arrecadamos R$ 100 milhões entre patrocínios e projetos incentivados. Atualmente pagamos de dívidas do passado para manter as CNDs aproximadamente R$ 60 milhões por ano.

O DIA: Como lidar com a pressão por mais investimentos? O departamento de futebol é compreensível?

RODRIGO TOSTES: Sempre trabalhei com orçamentos apertados. Acho absolutamente normal essa pressão, mas estamos trilhando um caminho definido, não podemos pensar apenas no curto prazo. Sempre fomos muito claros com o Vanderlei. Ele é um grande defensor da nossa austeridade porque sabe que administrar um elenco com salários atrasados coloca em risco o trabalho. Além disso, a chegada do Rodrigo Caetano ajudará ainda mais o clube a priorizar sua capacidade de investimento.

O DIA: É ano de eleição no clube. Como seria um novo triênio dessa diretoria em relação à capacidade de investimento?

RODRIGO TOSTES: Este ano e os três seguintes serão importantes para consolidar as mudanças e estabilizar financeiramente o clube. O Flamengo ainda tem grandes dívidas do passado, mas a boa notícia é que nosso crédito voltou. Vamos continuar honrando todos os compromissos. Nossa capacidade de investimento vai aumentar , mas isso não significa que todos os recursos serão aplicados no time de futebol. Este ano já faremos várias obras na sede social e terminaremos parte do Ninho do Urubu. Ainda assim achamos pouco.