Avião da Malaysia Airlines cai no Leste da Ucrânia e 295 pessoas morrem

Ucranianos acusam "terroristas" militantes de terem derrubado o Boeing 777 da Malaysia Airlines com um míssil da era soviética

Por O Dia

Um avião comercial da companhia aérea Malaysia Airlines que voava de Amsterdã para Kuala Lumpur caiu nesta quinta-feira no leste da Ucrânia, em uma região controlada pelos separatistas pró-russos, gerando suspeitas de que a aeronave tenha sido abatida.

A Malaysia Airlines confirmou que havia perdido contato com um de seus aviões no leste da Ucrânia, um Boeing 777 com 295 pessoas a bordo.

"A última posição conhecida foi no espaço aéreo da Ucrânia", acrescentou a fonte.

A Malásia anunciou imediatamente a abertura de uma investigação sobre a queda.

Segundo o chefe do serviço de controle aéreo ucraniano, Dmytro Babeitchuk, a tripulação não havia indicado problema algum no momento em que o avião passava pela Ucrânia.

"O sobrevoo pelo território ucraniano aconteceu sem problema algum", declarou Babeitchuk em uma entrevista coletiva à imprensa.

A aeronave desapareceu dos radares às 16h20 locais (10h20 de Brasília) quando voava a 10.000 metros de altitude. Em seguida, caiu perto do vilarejo de Grabove, nos arredores da cidade de Shakhtarsk, na região de Donetsk, segundo a administração regional. De acordo com a mesma fonte, o número de mortos ainda não foi estabelecido.

Governo americano acredita que avião pode ter sido atingido por mísseis

Analistas de inteligência "acreditam fortemente" que um míssil terra-ar tenha derrubado o avião e estão revisando dados para determinar se o disparo foi feito por separatistas pró-Moscou na Ucrânia, por tropas russas na fronteira ou por forças do governo ucraniano, indicou uma autoridade americana, que não quis ser identificada. "Estamos trabalhando com todas as probabilidades", disse um alto funcionário.

Mas há poucas dúvidas de que o avião tenha sido atingido por um míssil terra-ar, disse.

"É nisso que acreditamos fortemente".

Em Detroit, o vice-presidente Joe Biden afirmou: o avião foi "aparentemente - e digo aparentemente porque ainda não temos todos os detalhes - derrubado. Não é um acidente".

O avião estava a uma altitude de mais de 30.000 pés (dez quilômetros), no alcance de mísseis de fabricação russa Buk que fazem parte dos arsenais das forças ucranianas e russas.

Troca de acusações

Kiev havia acusado diretamente a Rússia de ter derrubado seu avião de transporte militar An-26 na segunda-feira e seu avião de combate Soukhoi Su-25 na quarta, mas Moscou negou essas afirmações.

O "primeiro-ministro" da autoproclamada "República Popular de Donetsk", Alexandre Borodai, afirmou à imprensa russa que o avião malaio tinha sido abatido por uma aeronave ucraniana, considerando o suposto ataque uma "provocação deliberada". A mesma acusação foi feita no site oficial dos separatistas.

A agência Interfax-Ucrânia indicou, citando uma fonte do Exército, que um grupo de socorristas do Ministério das Situações de Emergência estava indo para o local da queda.

O primeiro-ministro malaio, Najib Razak, anunciou a abertura de uma investigação. Esta queda é mais um duro golpe para a Malaysia Airlines, que perdeu um outro avião no dia 8 de março. A aeronave transportava 239 passageiros e acredita-se que tenha caído no Oceano Índico.

O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega americano, Barack Obama, conversaram por telefone sobre a tragédia, segundo o Kremlin.

"O líder russo informou ao presidente dos Estados Unidos sobre um relatório dos controladores de tráfego aéreo que chegou pouco antes da conversa indicando que um avião malaio havia caído na Ucrânia", declarou o Kremlin em um comunicado.

Pouco depois, Barack Obama disse que a queda do avião da Malaysia Airlines é uma "terrível tragédia". Ele não indicou se havia cidadãos americanos a bordo.

"O mundo está acompanhando as notícias sobre a queda do avião de passareiros perto da fronteira entre Rússia e Ucrânia. E parece ter sido uma terrível tragédia", afirmou Obama, antes de um evento em Wilmington, Delaware.

Já o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, declarou-se profundamente abalado com a notícia da queda do avião da Malaysia Airlines.

O governo francês pediu às companhias aéreas que evitem o espaço aéreo ucraniano. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da França, pelo menos quatro franceses estavam no Boeing 777.

Em Wall Street, pouco antes da metade da sessão desta quinta, os investidores temiam as consequências para a economia global de um aumento da tensão na Ucrânia.

"É uma notícia muito ruim, no sentido inverso ao anúncio das sanções ocidentais feito por Washington", reagiu na quarta-feira Gregori Volokhine, da Meeschaert Financial Services.

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