Conta de luz pode ficar 45% mais barata com nova tarifa

Custo da energia elétrica terá valores diferenciados de acordo com horário de consumo

Por O Dia

Rio - Mudar hábitos de consumo poderá resultar em economia de até 45% na conta de luz. Em março começa a ser implantada no país a chamada tarifa branca, que consiste em três diferentes tipos de cobrança para o serviço, de acordo com o uso da energia por horário. A classificação é da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Para o aposentado Paulo Roberto%2C a medida será ineficaz à população e vai beneficiar apenas as distribuidorasFernando Souza/ Agência O Dia

Segundo o órgão regulador, o consumidor não terá a obrigação de trocar o medidor de energia para reduzir os gastos. Em nota, a Aneel informou que a distribuidora deverá fazer a troca, acrescentando que a proposta que repassa a obrigação às permissionárias tramita no Congresso e determina que o custo dos relógios também seja das concessionárias.

Com relação às três modalidades de tarifa, a agência explicou que de segunda a sexta-feira será empregada uma cobrança mais barata na maioria das horas do dia; outra mais cara, no horário em que o consumo de energia atinge o pico, no início da noite; e a terceira, intermediária (a partir das 21h), será entre esses dois horários.

O horário de pico vai das 18h às 21h. Aos finais de semana e feriados, a tarifa mais barata será empregada para todas as horas do dia. As concessionárias devem estar prontas para atender ao novo modelo também em março.

TARIFA CONVENCIONAL

A Aneel ressaltou que a proposta visa estimular o consumo em horários em que a tarifa é mais barata, diminuindo o valor da fatura no fim do mês. A tarifa branca será opcional. Se o cliente não quiser modificar seus hábitos de consumo, a tarifa convencional continuará disponível, ressaltou o órgão.

Ovídio Bomfim administra uma imobiliária que consome 373 kilowatts por mês, ao custo aproximado de R$180. A empresa tem seis funcionários, e ele pretende aderir à medida para economizar os 45%. Caso consiga atingir o desconto máximo, a partir de abril ele vai pagar R$ 99 a menos na fatura, uma economia de R$ 1.188 em 12 meses.

Já o aposentado Paulo Roberto Barros, 64, é contra. Para ele, na prática a tarifa branca será ineficaz. “Acho que a medida falha em tentar disciplinar o usuário. O cara trabalha igual a um condenado o dia inteiro, viaja espremido no trem, e quando chega em casa vai esperar até 21h01 para tomar um banho? Não acho realista”, disse.

ADESÃO VANTAJOSA

Diretor-presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Macorin confirma que a economia no consumo poderá chegar a 45%. “A adesão parece bastante vantajosa ao consumidor, contanto que ele reveja os horários de consumo”, disse.

PENSA DIFERENTE

Já na opinião do professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutor em energética Heitor Scalambrini Costa a medida vai beneficiar somente as distribuidoras. “A tarifa branca vai onerar ainda mais o bolso do consumidor, que não terá condições de controlar o serviço”, explicou.

RELÓGIO ELETRÔNICO

A adoção da nova cobrança exigirá a troca dos medidores tradicionais (analógicos) pelos eletrônicos. A Aneel informou que até o próximo ano haverá estrutura necessária para a implantação do sistema.

DISTRIBUIDORA PAGA

A agência reguladora quer que as concessionárias de energia que atuam em todo o país se responsabilizem pelo custo do medidor, bem como pela troca do equipamento, aliviando assim o bolso do consumidor, de acordo com nota enviada pelo órgão regulador ao DIA.

Reportagem de Osni Alves e Taís Laporta (iG São Paulo)

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