Dívida com rotativo do cartão atinge recorde: mais de R$ 33 bilhões

Valor é o maior registrado no Banco Central desde 2007

Por O Dia

Rio - João pediu a Maria R$ 10 para comprar arroz e feijão. Pagaria tudo em 30 dias, mas, sem conseguir o dinheiro, quitou apenas R$ 2,50. Sem garantia de um dia receber o valor de volta, Maria cobrou de João 11% de juros sobre os R$ 7,50 que restaram ser pagos, e, no mês seguinte, a dívida subira para R$ 8,32. Ele só pode pagar R$ 2. A história se repetiu por 12 meses até João quitar o que devia. No fim, pagou um valor quase 50% maior que o que pegara emprestado.

A história é fictícia, mas pode representar a situação de milhares de brasileiros que se enrolaram com o pagamento do cartão de crédito. Em junho, a dívida com o rotativo do cartão — a operação de financiamento dos R$ 7,50 que João deixou de pagar a Maria, no nosso exemplo — atingiu o recorde de R$ 33,122 bilhões na série histórica do Banco Central, que começou em 2007, quando o montante era de R$ 11,407 bilhões.

Como evitar o vermelho em 10 passosArte O Dia

Para evitar entrar nessa bola de neve, o economista Gilberto Braga diz que é importante que o titular do cartão de crédito mantenha sempre recursos para quitar o valor integral das parcelas. “Recomenda-se que a pessoa não gaste mais do que 30% do seu ganhos líquidos com o cartão. Com os 70% da renda restante, ela poderá suportar suas demais despesas”, diz.

Como forma de sair do vermelho, o especialista sugere tentar centralizar todas as dívidas em um único empréstimo a juros menores que os cobrados no cartão (confira o passo a passo no quadro ao lado). Outra saída é abandonar o crédito e reorganizar as despesas. Foi o que fez o advogado Tiago dos Anjos, que perdeu o controle dos gastos com o cartão de crédito. “Hoje pago cerca de R$ 340 em juros. A solução é destinar parte do salário para cobrir essa despesa. Agora decidi limitar meus gastos a R$ 500. Antes, usava mais de R$ 1 mil por mês”, conta.

Já a jornalista Thalita Linhares levou 15 meses para pagar a dívida. "Recebi uma fatura no valor do meu salário e passei cinco meses fazendo o pagamento mínimo. Virou uma bola de neve”. Apesar da experiência ruim, Thalita até ri e admite que já acumula uma nova dívida, de R$ 700.

Com atraso, pagamento sobe até 50%

Apesar de se mostrar um mau negócio, só em junho, a inadimplência do rotativo do cartão de crédito apresentou alta de 1,5 ponto percentual comparado ao mês anterior, chegando a 36,9%. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o aumento é de 4,3 pontos percentuais.

Depois de quitar dívida%2C Thalita Linhares até brinca com a situaçãoReprodução Facebook

Também em junho, a taxa média dos juros do rotativo do cartão ficou em 372% ao ano, muito acima das já consideradas altas taxas do cartão de crédito parcelado, que chegaram a 118,2% ao ano. Essa é a média cobrada pelas instituições financeiras, mas a taxa pode variar de 70,42% ao ano a 794,95% ao ano dependendo da instituição, segundo dados do Banco Central(BC).

O economista Gilberto Braga dá um exemplo de como a dívida do rotativo pesa mais no bolso do consumidor. “Uma dívida feita de uma única vez no cartão de crédito, com pagamento só do valor mínimo da fatura todo mês, considerando que não faça novos gastos que aumentem a dívida rolada, ao final de 12 meses, chegará a um valor 50% maior que o que foi gasto”, exemplifica.


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