Jaguar: Racismo escorrega na banana

Lampejo genial, coisa de Carlitos, a reação de Daniel Alves comendo a banana jogada por um energúmeno

Por O Dia

Rio - Lampejo genial, coisa de Carlitos, a reação de Daniel Alves comendo a banana jogada por um energúmeno. Ficará na história como a bicicleta de Leônidas e os dribles de Garrincha. E na nossa memória como um tapa na cara do racismo, algo tão forte como o “I have a dream” de Martin Luther King. Falei em Carlitos porque foi um gesto de puro humor, espontâneo, sem rancor nem ressentimento. Sempre que os ditadores tomam o poder, reprimem o humor. Eles sabem que é a maior arma contra a boçalidade.

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Ótima a entrevista do Ricardo Amaral a Marília Gabriela. Tive a sorte de ser boêmio quando ele esquentou a noite do Rio, ampliando o que Carlos Machado começou. Com eles, a cidade deixou de ser provinciana. Calma, não vou fazer sociologia de botequim. Mas as coisas mudaram muito; a partir do fim dos anos 50, a gente nunca dormia antes das 3h. Havia três tipos de boêmio: os que se gabavam de nunca ter trabalhado, como os rapazes endinheirados do Clube dos Cafajestes. O segundo grupo era formado pelos que trabalhavam: profissionais liberais, servidores, bancários, artistas plásticos, atores, escritores e jornalistas. A rapaziada que trabalha nas redações de agora, cada um focado no seu computador, se pudesse pegar um trem que voltasse 50 anos atrás, levaria um baita susto. Laudas pelo chão, garrafas vazias, uma bagunça. Quase todo mundo fumava desbragadamente. Mas a grande diferença ficava por conta da algazarra e do barulho das máquinas de escrever (quase todos batiam com um dedo só nas Olivettis e Remingtons). E, finalmente, o terceiro grupo, que também não trabalhava: a malandragem que se concentrava nos bares e dancings da Lapa. É claro que, nos grupos, havia exceções. Nós, boêmios trabalhadores, frequentávamos os bares da Lapa e as boates da Zona Sul (no dia do pagamento). Já o pessoal que não trabalhava — os bacanas das boates da Zona Sul e os malandros da Lapa — não se misturavam. Mas a grande diferença é que tínhamos 40 anos a menos.

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Começaram a depredar e incendiar até hospitais. A Ucrânia é aqui, Caetano? Por via das dúvidas, vou verificar se o meu passaporte está em dia.

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Hoje, 3 de maio, comemoramos o dia da liberdade de imprensa. Poderemos fazer o mesmo no ano que vem?

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