Milton Cunha: A anã que se sentia rainha

Aceito que as belas são o máximo. Mas ter uma “fora da curva” com samba no pé é um tapa de pelica no preconceito

Por O Dia

Rio - Vanguardista Prefeito Sambista, Dudu Paes; autoridades do município; formadores de opinião; cidadãos menos votados; prostitutas, mendigos, pivetes, povo da rua! Com o tempo as leis foram ultrapassadas pela ascensão de minorias. Já tinha ouvido falar que a estonteante mulata Keila fora desclassificada por ter ultrapassado a idade regulamentar; acompanhei a saga da plus-size Josi Grande Rio, que foi desclassificada nas eliminatórias, do alto de seus 130 kg de formosura absoluta. Portanto não é de hoje que assisto à tentativa de mulheres de todos os tipos que querem ser rainha do Carnaval do Rio.

Mas agora a questão ascendeu à categoria de fascinante. Vejam o que a endeusada passista anã (deveria chamá-la de portadora do nanismo, mas eu sou do tempo em que eu era bicha e não gay), Vivi Viradouro, postou no meu Zap Zap: “Este ano eu estava tentando concorrer a rainha 2016, mas pelas regras da Riotur existe uma cláusula de que tem que ter no mínimo 1.60 e isto me impede. Pensei em entrar com mandado de segurança só pra participar, mas isto iria me queimar no meio, e brigar em processo judicial é desgastante. Também não quero ser a coitadinha. Quero concorrer porque sou uma reconhecida sambista, como todos vocês dizem. Quero ter a chance que todas as meninas têm, ganhando ou perdendo. Você pode me orientar a clamar por justiça para que eu possa concorrer? Também tenho o direito de sonhar ser Rainha, como toda mulher. Eu devo lutar?”

Sim, Vivi, lute! E luto ao teu lado, dando vitrine pública para o dilema, que é questão de muitos excluídos, num tempo em que já temos as paraolimpíadas. E te admiro por não baixar a cabeça. Foi-se o tempo das elites físicas. Prepare-se para os que te acham uma aberração, enfrente os que te declaram feia, e sambe até morrer, felicíssima. Interessante que você já desfila na Embaixadores da Alegria (o andar da prateleira onde está escrito “lugar para o carnaval dos deficientes”), você também atravessa a Avenida nas escolas “normais” (risos), mas isto não te basta, você quer mais. Conselho meu? Queira mais. Pintosa assumida. Eu também quis mais da vida, e minhas chances eram mínimas porque nasci no cafundó do Judas, mas sonhei e aqui estou.

Me respondam, amados: desviantes podem sonhar com coroa e cetro, ou este é desejo para requisitos físicos? Aceito que as belas e gostosas são o máximo. Mas ter uma “fora da curva” com samba no pé, na Corte da Festa democrática que o Carnaval deveria ser, não seria um tapa de pelica no preconceito? Aceito opiniões contrárias, mas voto na Vivi sambista. Cala boca já morreu, cada um que esperneie!

E-mail: chapa@odia.com.br

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