Transporte público levou maioria da população aos protestos

Pesquisa feita pelo Ibope e apresentada no ‘Fantástico’ aponta principais causas das manifestações

Por O Dia

Rio - Pesquisa promovida pelo Ibope e divulgada na noite de domingo pelo ‘Fantástico’ apontou as principais causas que levaram centenas de milhares de pessoas a protestarem nas ruas em todo o país. Levantamento destaca que 38% das pessoas foram às ruas para protestar contra a péssima qualidade do transporte público.

Outros 28%, contra o aumento das tarifas das passagens. A política atual (30%) e a corrupção (24%) também são fatores de insatisfação e reivindicação. A pesquisa entrevistou 2 mil pessoas em oito capitais brasileiras, na última quinta-feira. A maioria, 57%, diz que a polícia agiu com violência nos protestos.

Segundo o levantamento,outros temas dominaram os protestos: a Saúde (12%), a PEC 37 (6%), os gastos com a Copa do Mundo (5%) e a Educação (5%). A pesquisa diz ainda que 46% participam de protestos pela primeira vez.

A polícia de Fortaleza teve trabalho para liberar a pista de acesso ao aeroporto%2C fechada por manifestantes Davi Pinheiro / Reuters

“As pessoas fizeram uma associação muito rica. Não adianta mais recursos para a saúde e educação, se continuar ocorrendo má gestão, corrupção e ineficiência”, apontou o historiador Francisco Carlos Teixeira, em depoimento ao ‘Fantástico’.

O instituto analisou ainda as três primeiras respostas dos entrevistados. Neste caso, 65% das pessoas disseram protestar contra a forma de fazer política hoje no País; outros 54% reclamam da qualidade do transporte público; e 49% são contra a corrupção.

Para 46% dos pesquisados, o governo, com os impostos que recolhe, é que deve arcar com o custo da redução das tarifas dos ônibus. Outros 29% consideram que os empresários assumam os custos e 21% dizem que governo e donos das empresas de ônibus devem dividir a conta.

As redes sociais (78%) foram a principal forma de organização dos manifestantes para participar dos protestos.

Novas manifestações, com menos adesão

As manifestações continuaram ontem em todo o país, mas em menor número de adesão. À tarde, cerca de mil pessoas bloquearam a pista que dá acesso ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza. A avenida só foi liberada após duas horas de protesto.

No caminho para o aeroporto, vândalos picharam e furaram pneus de carros de emissoras de televisão. Em Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte, um grupo interditou no início da noite os dois sentidos da BR-381, na altura do km 449. A Polícia Rodoviária liberou as pistas uma hora depois.

No interior de São Paulo, manifestantes fecharam a pista da Rodovia Dom Pedro I, no trecho de Igaratá, por quase três horas. O protesto provocou um congestionamento de seis quilômetros na via.
A cantora Kate Nash, que está no Brasil para se apresentar no festival Cultura Inglesa, postou ontem no Facebook uma foto de sua participação no protesto de sábado, na capital paulista, e recebeu muitas críticas na rede social.

Em Bagé, interior do Rio Grande do Sul, cerca de mil manifestantes foram às ruas. Também houve protestos na capital, Porto Alegre, e em outras regiões do estado, como Erechim.

PM de Minas prendeu 32 pessoas e prevê novo confronto

O comando da Polícia Militar de Minas Gerais prevê momentos tensos na próxima quarta-feira, quando acontecerá uma nova manifestação em Belo Horizonte, com previsão de mais de 100 mil pessoas nas ruas. O protesto foi marcado nos arredores do Mineirão, na região da Pampulha, exatamente no dia da partida entre Brasil e Uruguai, pelas semifinais da Copa das Confederações. A PM avisa que o limite de segurança de 2 km de distância do estádio, estipulado pela Fifa, terá que ser respeitado.

Segundo a PM, 32 pessoas foram presas durante as manifestações de sábado, e outras 15 ficaram feridas, entre elas um idoso, que foi carregado por integrantes da manifestação em meio a bombas de gás lacromogêneo lançadas pela polícia.

Em Salvador, 30 manifestantes foram presos durante os protestos de sábado. A Ordem dos Advogados do Brasil e o Sindicato de Jornalistas da Bahia condenaram a ação violenta da polícia.

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