'Perdi tudo, minha casa acabou', diz vítima de alagamento em Campo Grande

Rompimento de adutora interditou a Estrada do Mendanha, na altura da Rua Marcolino Costa, sentido Avenida Brasil. Toda a região está alagada

Por O Dia

Rio - O mecânico Adilson da Silva Serpa, de 42 anos, teve a casa destruída após o rompimento de adutora na manhã desta terça-feira em Campo Grande, na Zona Oeste. Ele estava em casa com a enteada Lavínia dos Santos Moura, 8, a esposa Ana Paula dos Santos de Oliveira, 32, e o cunhado Daniel Alberto. A família acordou por volta das 5h30 assustada com um barulho de água caindo no telhado de sua casa, na Rua Projetada A.

"No começo achamos que era chuva. Mas o barulho não diminuiu e as telhas começaram a quebrar. Fomos para o segundo andar e quando abrimos a porta do banheiro vimos as paredes caindo. Logo em seguida um jato de água jogou todos nós para da casa fora", contou Adilson.

De acordo com o mecânico, a família foi resgatada com auxílio de um bote. "Depois que caí na água não vi mais nada. Foi um desespero tremendo. Perdi tudo. Quatro carros foram destruídos. Terei que construir tudo de novo, minha casa acabou", lamentou. O cachorro da família, segundo ele, ainda não foi encontrado.

Adilson disse que há dois meses uma empresa particular realizou serviço de terraplanagem exatamente no local onde a adutora de rompeu.

Criança de três anos morre afogada

Uma criança de 3 anos morreu após no acidente. A explosão interditou a Estrada do Mendanha, na altura da Rua Marcolino Costa, sentido Avenida Brasil. Outras 14 pessoas ficaram feridas Este é o principal acesso ao Centro de Campo Grande, para o motorista que vem da Avenida Brasil.

Vítima é resgatada por bombeirosSeverino Silva / Agência O Dia

A vítima foi identificada como Isabella Severo dos Santos. Ela chegou a ser encaminhada ao Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, mas não resistiu e faleceu. 

O rompimento deixou um saldo de 70 desalojados, 72 desabrigados e 17 casas desabaram. 

"A primeira medida foi socorrer as pessoas e agora estamos avaliando os danos", disse o comandante geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sergio Simões.

Toda a região está alagada e carros estão submersos. A água está a 1,5 metros de altura. Estima-se que o jato de água disparado durante o rompimento tenha alcançado 20 metros de altura. Moradores se protegeram subindo nos telhados de suas casas. Bombeiros e CET-Rio estão no local.

Segundo Almir Moura, gerente da regional oeste da Cedae, a adutora que se rompeu faz a ligação entre o reservatório de Marapicu e o Centro da cidade. "Recebemos uma ligação de um morador, às 5h40, informando sobre um vazamento no local. Vinte minutos depois, às 6h, houve o rompimento", afirmou.

De acordo com Almir, ainda não é possível precisar a quantidade de água lançada nas ruas. A linha rompida vai até o Centro e por conta da interrepção no fornecimento de água, o abastecimento na região central pode ficar comprometido. A Cedar pede que a população economize água.

Técnicos da Cedae trabalham no local. Segundo a concessionária, o registro da adutora de grande porte foi desligado e a água foi manobrada para outras adutoras que passam pela região.

Rompimento de adutora assustou moradores de Campo GrandeReprodução TV Globo

De acordo com a assessoria de imprensa da Light, com a explosão da adutora, a rede da concessionária foi atingida e danificada. Por conta disso, parte de Campo Grande está sem energia. Segundo a concessionária, técnicos trabalham no local para restabelecer o fornecimento.

Este é o segundo problema com adutora da Cedae num espaço de tempo de 15 dias. No último dia 15 de julho, conforme O DIA 24 Horas registrou, na Zona Norte, a Avenida Brás de Pina voltou a ser interditada, no cruzamento com a Rua Guaporé, na Penha Circular, devido a um afundamento de pista.

A via tinha sido interditada no sábado, 13 de julho, foi liberada na segunda-feira, 15, mas voltou a ser interditada no mesmo dia, por volta do meio-dia, para a realização de uma obra emergencial. Houve rompimento de uma adutora e problemas nas obras de drenagem na da Zona Norte.

Equipes do setor administrativo e patrimonial da Cedae estão no local fazendo o levantamento dos danos causados aos moradores, que perderam casas, carros, entre outros bens. A Cedae não soube explicar porque duas adutoras da companhia apresentaram problemas em 15 dias.

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