Informe do DIA: 'O modelo de policiamento em favelas precisa mudar'

Cientista política defende a extinção da Polícia Militar

Por O Dia

Rio - Para a cientista política Maria Helena Moreira Alves, as UPPs foram inspiradas em modelo aplicado pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnã, que durou até 1975. Autora do livro ‘Vivendo no fogo cruzado’, que será lançado neste mês, ela defende a extinção da Polícia Militar.

Maria Helena Moreira Alves defende o fim da PMJoão Laet / Agência O Dia

O que mais chamou sua atenção nas favelas?

— Em 2008, quando visitamos uma escola em favela, pedimos às crianças que fizessem desenhos sobre a violência. Todos reproduziam imagens do Caveirão e de moradores mortos. Mas também havia mensagens com pedidos de paz. Uma professora do Alemão contou que o Bope invadia o pátio da escola para se posicionar para conflitos com bandidos.

Como a sra. vê a criação das UPPs?

— Acho que não funciona. As UPPs seguem a lógica de uma política usada pelos Estados Unidos no Vietnã. Eles criaram um modelo chamado de “ilhas de pacificação”, uma estratégia de contenção de áreas de aliados que poderiam ser invadidas pelo inimigo. Quando entrevistei o governador Sérgio Cabral e ele falou das UPPs, sua linguagem era a mesma usada pelo exército americano: pacificação, cerco, contenção, busca e apreensão. Essa última dá legitimidade militar a arrombamento de casas de moradores durante incursões.

Como deve ser o policiamento nessas áreas?

— É preciso dissolver a PM e criar uma polícia comunitária, com policiais das próprias favelas, escolhidos pelos moradores.

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