Vazamento de informação pode ter prejudicado megaoperação no Alemão

Ação para a captura de 40 traficantes terminou sem presos ou apreensões

Por O Dia

Rio - O Complexo do Alemão amanheceu nesta quarta-feira tomado por um mega-aparato policial — que incluiu 500 militares de diversas unidades — para a captura de 40 traficantes acusados de participarem de ataques a policiais, base da UPP e delegacia locais. No entanto, a operação terminou sem presos ou apreensões. O comando da ação não descarta a hipótese de ter ocorrido vazamento de informação sobre a operação, que pode ter prejudicado o trabalho.

Os policiais foram até as casas dos procurados e nenhum dos 40 foi localizado. “Pode ter vazado (informação) porque ninguém foi preso. Foi utilizado um efetivo muito grande de diversos lugares, disse o tenente-coronel Rogério Figueiredo, chefe de operações do Comando de Polícia Pacificadora (CPP).

Cerca de 500 policiais de diversas unidades participaram da operação desde as primeiras horas de quarta-feiraFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

Apesar disso, a polícia não considerou que a operação tenha sido um fracasso. De acordo com a instituição, dois helicópteros foram usados e fizeram imagens aéreas das comunidades. Com esse levantamento, outras operações podem ser montadas para prender os procurados e identificar outros suspeitos dos ataques.

Escolas da região foram fechadas por motivo de segurança durante a manhã. Segundo a secretaria municipal de Educação, dez unidades da rede não funcionaram e 4.015 alunos ficaram sem aulas. Os colégios da rede estadual tiveram aulas normalmente.

Os policiais começaram as buscas por volta das 4h30 e houve um breve confronto, sem feridos. De acordo com Figueiredo, o setor de Inteligência do CPP identificou que traficantes atuam nas comunidades do Alemão, Fazendinha e Nova Brasília teriam promovido os ataques. Eles seriam comandados por homem conhecido como Ramires. Ainda segundo a polícia, o criminoso ganhou status dentro da comunidade após os atentados. O tenenete-coronel informou ainda que, apenas neste ano, 22 policiais foram feridos e outros cinco mortos no conjunto de favelas. Terça-feira houve outro confronto no Morro do Alemão, e os PMs identificaram a presença de Ramires entre os bandidos.

“O objetivo da ação era prender os responsáveis pelos tiroteios, diminuir os confrontos e manter a paz para que o projeto de pacificação continue”, afirmou o oficial.

Participaram da operação policiais de diversas UPPs, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Batalhão de Ações com Cães (BAC) e do Grupamento Aéreo Marítimo. Os PMs distribuíram 10 mil panfletos para que os moradores façam denúncias. O policiamento da área ficará reforçado por tempo indeterminado.

Criminoso teria plano contra PMs

Suposto documento interno da Polícia Militar, que tem circulado pelas redes sociais, aponta para suposto plano arquitetado pelo traficante Luis Cláudio de Machado, o Marreta, para matar policiais após a Copa.
Marreta é um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho e chefe de pontos de drogas no Complexo do Alemão. O relatório, com data de 6 de julho, foi difundido entre órgãos da corporação e revela o plano do criminoso que teria participado, no início do mês, de uma reunião no Complexo da Penha. No texto há ainda a informação de que confrontos deveriam ser evitados durante o Mundial.

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