Empresas acusam UFRJ e alunos seguem sem aulas

Empresas responsáveis por serviços afirmam não receber os pagamentos de forma regular desde o ano passado

Por O Dia

Rio - Saúde e a educação são as vítimas mais frágeis da crise econômica. Na UFRJ, alunos das faculdades de Comunicação e de Direito continuam sem aulas. Nos hospitais do estado, a falta de pagamento das empresas terceirizadas de limpeza obrigou a Comlurb a assumir a coleta de lixo do Rocha Faria, em Campo Grande.

Na maior universidade federal do país, a suspensão das aulas decorre da falta de pagamentos para as empresas de manutenção. A Higi Time, responsável pela limpeza nas unidades da Praia Vermelha, disse que não recebeu pagamento referente aos meses de março e abril. 

Faculdade de Direito e de Comunicação da UFRJ sem aulas%3A prejuízo para quase três mil estudantes Bruno de Lima / Agência O Dia

Em dívida com os funcionários, a empresa disse que não tem condições para pagar o salário de abril aos cerca de 75 contratados. "Nunca recebi um pagamento em dia da UFRJ, desde o início do contrato, em agosto de 2014. Não vejo a hora disso acabar", comentou o gerente administrativo da Higi Time, César Palma, de 40 anos.

Em nota, a UFRJ informou que vai realizar mutirões de limpeza nas áreas consideradas mais críticas da universidade, começando pelo colégio de aplicação. Nesta terça-feira, o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, disse que não está faltando custeio para as universidades.

Educação

Uma funcionária do setor de limpeza da Praia Vermelha, que não quis se identificar, disse que deveria ter recebido o salário no dia oito deste mês, mas que até agora não há perspectiva para o pagamento. "Fica difícil pra gente. Tenho minha família pra sustentar, minhas contas pra pagar. Só não paro de trabalhar porque tenho medo de ser mandada embora", desabafou. A Higi Time continua pagando o vale transporte.

A Angels, responsável pela segurança tanto na Faculdade Nacional de Direito (FND), como na Praia Vermelha, onde fica a Escola de Comunicação (ECO), disse que não recebe o pagamento da UFRJ desde fevereiro. A empresa de vigilância, que ainda não pagou o salário de abril aos funcionários, afirmou nunca ter atrasado os pagamentos, mesmo sem receber em dia da UFRJ. No entanto, agora não tem dinheiro para cobrir o que falta. "Eu olho pro vigilante e tenho vergonha, mas o que vou fazer? Já esgotamos nossos esforços", contou o diretor comercial da empresa, César Ferreira.

De universitário a lixeiro%3A aluno juda a limpar a UFRJ Bruno de Lima / Agência O Dia

Apesar de não estarem recebendo os salários, é possível ver vigilantes trabalhando normalmente em algumas instalações da UFRJ. "Continuamos aqui, mas as coisas estão difíceis. Não temos previsão nenhuma para ver o dinheiro", comentou um vigilante, que prefere não se identificar.

Enquanto a UFRJ alega não ter recursos suficientes para repassar aos servidores terceirizados da instituição desde o início de 2015, o Ministério da Educação (MEC) disse ontem que liberou nos quatro primeiros meses do ano R$ 81 milhões para UFRJ - valor semelhante ao que a universidade gastou no mesmo período do ano passado, R$ 82 milhões. "São valores muito próximos. Vale lembrar que as instituições têm autonomia para gerir os seus recursos", diz a nota do MEC.

A UFRJ informou que tomará medidas legais e administrativas, cabíveis a cada caso, para punir qualquer empresa que descumpra cláusulas contratuais e previstas na legislação brasileira, de forma a resguardar os interesses públicos.

Mutirão no Rocha Faria

A Comlurb recolheu mais de duas toneladas de lixo no segundo dia de mutirão de limpeza no Rocha Faria, maior hospital de Campo Grande, na Zona Oeste. Com a greve dos funcionários da limpeza, por conta do atraso nos salários, o hospital passou o último final imundo, como noticiou nesta terça-feira O DIA.

O governo do estado reconheceu o problema e afirmou que vai regularizar o pagamento às empresas terceirizadas em breve, mas não precisou a data.

"Minha filha foi internada na sexta e eu tive que levar sacos para recolher o lixo deixado por ela. Hoje (ontem) a situação estava outra. Tinha muito funcionário da Comlurb limpando", explicou a dona de casa Maria de Fátima Amaral, de 68 anos.

Com Amanda Prado

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