Colégio Franco comemora centenário de olho no futuro

Do latim às aulas de robótica, Liceu lembra em livro trajetória iniciada em 1915

Por O Dia

Rio - O Latim já não faz mais parte das disciplinas obrigatórias no currículo. Hoje os alunos colecionam medalhas em competições de robótica. Foi desta forma, valorizando a tradição e de olho no futuro, que o colégio Liceu Franco-Brasileiro completou 100 anos, na última sexta-feira 13. Se para alguns, os dois dígitos dão azar, para a instituição é sinal de muita sorte.

Foi por este mesmo número, na Rua das Laranjeiras, que figuras ilustres como o arquiteto Oscar Niemeyer, o ex-presidente da Fifa João Havelange, o diplomata Sergio Vieira de Melo e o neurocirurgião Paulo Niemeyer, frequentaram os bancos escolares. Todos foram alunos do tradicional liceu, aberto, em 1915, durante a 1ª Guerra Mundial, pelo francês naturalizado brasileiro Alexandre Brigole. Inaugurado com o nome de Lycée Français, a instituição tinha como missão difundir a cultura francesa e receber filhos de estrangeiros que aportavam por aqui.

Escola foi criada para difundir a cultura francesa e receber filhos de estrangeirosLUIZ CORREIA DE ARAUJO

Por trás dos portões, uma réplica do Arco do Triunfo parisiense, está guardado um século de história que se confunde com a própria trajetória do país e do mundo. O anúncio da vitória dos aliados na 2ª Guerra foi comemorado por alunos e professores que entoaram o hino francês e ganharam folga.

O prédio centenário atravessou os tempos duros da ditadura e foi palco dos primeiros encontros da Bossa Nova. “Meus amigos eram ecléticos, estrangeiros. Viajavam, traziam novidades sobre moda e música. Era fascinante!”, recorda a empresária Fátima Correia Dias, sócia do Restaurante Quinta.

Há 51 anos%2C Almir cuida dos alunosLUIZ CORREIA DE ARAUJO

Responsável pelo Centro de Memória, que funciona como um mini museu, Ana Luiza Balassiano, guarda uniformes antigos, diplomas do início do século, carteiras, caneta-tinteiro e até cadernetas de saúde, onde eram anotadas as doenças dos alunos, que incluíam cuidados com a dentição. No comando da escola desde 1992, Celuta Reissmann, é a terceira diretora. “Em um mundo com tanta intolerância, nós trabalhamos os valores para que cada um aprenda a aceitar o outro”, ensina.

Tio Almir ganhou pátio com seu nome

Não há quem tenha passado pelo Franco sem sentir saudades do Tio Almir. Aos 76 anos é o inspetor mais antigo da escola. Há 51 anos, é também uma das figuras mais queridas do lugar. Sabe o nome de todos os alunos e dos que já se formaram. Em sua homenagem ganhou uma placa no pátio principal. “No Brasil só ganha nome em praça quem já morreu. Eu sou um felizardo. Estou na terceira geração. Cuidei da avó, do filho e dos netos. Acho que mereço nota 7”, diverte-se ele, rodeado por crianças.

Tio Almir acha que hoje é mais fácil cuidar dos estudantes. “São bem mais tranquilos. Antigamente era muito pior. Eles jogavam bomba caseira no vaso sanitário. No recreio, era ‘guerra’ entre franceses e brasileiros”, recorda o funcionário, que foi contratado em, 1964, em plena Ditadura Militar. “Nunca gostei de repressão. Eu gosto da energia das crianças. Melhor do que ganhar na mega sena”, garante ele, que, mesmo aposentado há dez anos, não pensa em parar. “Só quando não der mais”, revela.

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