Ensino da música resgata vidas de crianças e jovens em Nova Iguaçu

Escola comunitária de Comendador Soares dá bolsas de estudo para alunos que não têm condições de pagar por aulas

Por O Dia

Instalada em uma das regiões mais carentes de Nova Iguaçu, a escola de música comunitária de Comendador Soares dá uma lição de solidariedade. O trabalho visa a ampliar as oportunidades para que crianças e jovens da região possam cantar e desenvolver a capacidade de tocar instrumentos.

Criada em 2005 pelo músico e professor Décio Trindade de Oliveira, o Décio Cavaquinho, de 53 anos, a escola oferece aulas de cavaquinho, violão, percussão, violino, teclado, trompete, flauta, saxofone e canto.

Os alunos pagam uma taxa mensal de R$ 80 para manter o espaço. Estudantes da rede pública recebem bolsa de 50%. A escola atende também, gratuitamente, crianças e jovens que não têm condições de pagar o curso. A duração das aulas é, normalmente, de um ano.

O projeto começou em uma casa simples de Comendador Soares, do próprio Décio Cavaquinho. Hoje, tem parceria com a Escola Villa Lobos e a Unirio.

Apesar das dificuldades, funciona agora em uma sede alugada. Atualmente, conta com quatro professores e cerca de 50 alunos, que compõem uma orquestra de cavaquinho e um coral de vozes.

A instituição tem 12 violões, seis cavaquinhos, dois teclados, dois violinos e quatro instrumentos de percussão. As aulas são realizadas às terças e sextas-feiras, da manhã à noite. Os ritmos ensinados são principalmente o samba, o chorinho, a bossa nova e a música gospel.

De acordo com Décio Cavaquinho, o objetivo é oferecer um trabalho de educação musical diferenciado. “Optamos por uma abordagem pedagógica criativa, lúdica e prazerosa. Temos aulas teóricas, de percepção musical e práticas. De três a seis meses o aluno já está tocando”, diz.

Décio Cavaquinho (em pé) fundou a escola em sua casa Estefan Radovicz / Agência O Dia

Décio Cavaquinho já foi professor de música na Faetec de Quintino e no Instituto Pão de Açúcar. E tocou com artistas reconhecidos, como os sambistas Noca da Portela e Martinho da Vila.

Apesar de não emitir certificado profissional, a escola é, segundo Décio, uma porta para jovens talentos. “A região é muito carente de formação complementar. Muitos saem daqui para ganhar a vida como músicos”, diz.

Música pode se tornar uma fonte de renda ou diversão

Alexander Ferreira, 20, de Belford Roxo, já aprendeu a tocar pandeiro, cavaquinho e agora faz aulas de violão. “Ganhei a bolsa que me ajuda bastante, porque o dinheiro que iria gastar com o curso, pago a passagem. A música pode ser uma fonte de renda alternativa”, ressalta.

Para o morador de Queimados Marcos Vinicius, 19, o incentivo veio de dentro de casa. “Meu pai foi o primeiro aluno da escola e estou seguindo os mesmos passos. O objetivo é conseguir viver com o dom que Deus me deu”, frisa.

Mas também há aqueles que começaram a estudar somente pelo amor à música e para descontrair nas horas vagas. É o caso de Aurecy Lavoisier, 40, de Comendador Soares, que faz aula de cavaquinho há 11 meses. “Nunca tinha tocado nenhum instrumento de corda e me apaixonei pelos solos do choro. Saio das aulas e vou direto para o bar tocar com os amigos. É o meu lazer, minha diversão”, conta Lavoisier.

As inscrições ficam abertas durante todo o ano. É preciso somente ter mais de 8 anos. Para ter direito à bolsa, é necessário comprovar que estuda na rede pública de ensino e que não tem renda.

A escola fica na Rua Bartolomeu Bueno 34, em Comendador Soares.

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